A iniciativa visa assinalar mais um aniversário da morte do soberano destemido dos Kwanyamas, que liderou a resistência contra a ocupação colonial portuguesa na região Sul de Angola e preferiu a morte, por suicídio, a 6 de Fevereiro de 1917, ao invés da rendição. 
Em declarações ao Jornal de Angola, Tiago Caungo, recentemente doutorado em História pela Universidade de Oriente, em Cuba, explica que o seu trabalho tem sido, há onze anos, trazer ao público e à academia a imagem real do ohamba (rei) Mandume, contrariando desde já a imagem falsa bastante divulgada do soberano em tronco nu. 
“Esta importante personalidade da História de Angola foi, durante muito tempo, mal interpretada pela historiografia tradicional portuguesa, que o apresentava como um indivíduo tirano e despojado de bons costumes”, refere o historiador, cuja especialidade é exactamente os Ovawambo, depois de defender a sua tese de doutoramento com o título “A estratégia de resistência dos Ovawambo de Angola perante a penetração europeia (1885-1917”, ainda não publicada.

Docente e coordenador do Projecto de Investigação da Escola Superior Pedagógica do Bengo, o historiador revela que a sua apresentação vai abordar a formação académica e militar e a posição de dupla nacionalidade do rei pertencente aos Ovawambo, povo bantu do Sul de Angola e norte da Namíbia. Assim, com base na organização social, política e cultural, Tiago Caungo pretende traçar um perfil real dos feitos de Mandume Ya Ndemufayo, destacando a concepção das suas estratégias para manter a soberania do seu povo contra a colonização portuguesa e inglesa.

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