O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, exortou hoje os moçambicanos residentes na África do Sul a absterem-se de atos de retaliação na sequência da onda de violência contra estrangeiros naquele país, pedindo a Pretória para restabelecer a segurança e estabilidade.

“Exortamos aos cidadãos moçambicanos na África do Sul a absterem-se de quaisquer atos de violência e retaliação, evitando permanecer em zonas de risco de ataques xenófobos”, disse Filipe Nyusi numa comunicação à nação, transmitida pelo canal público TVM, a propósito da violência contra estrangeiros na África do Sul.

O chefe de Estado moçambicano defendeu que o Governo sul-africano deve restaurar a segurança e estabilidade no país, porque a violência contra os estrangeiros é um atentado à Declaração Universal dos Direitos Humanos e à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.

“Estaremos a acompanhar de perto a responsabilização criminal dos autores destes atos de violência”, enfatizou Filipe Nyusi.

As autoridades moçambicanas estão empenhadas em assegurar a proteção dos moçambicanos residentes na África do Sul e os seus bens, tendo mobilizado a embaixada e os consulados naquele país para estarem em prontidão, adiantou Nyusi.

“Tudo deve ser feito para garantir que todos os cidadãos africanos convivam em paz, harmonia e concórdia em espaço territorial de qualquer parte do nosso vasto continente”, salientou o Presidente moçambicano.

As autoridades moçambicanas anunciaram hoje que os ataques a estrangeiros na África do Sul, que se registam desde 01 de setembro, afetaram cerca de 500 moçambicanos.

“Dos dados disponíveis, temos cerca de 500 pessoas que estão afetadas pela situação”, disse hoje Geraldo Saranga, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique (Minec), em declarações aos jornalistas.

Geraldo Saranga adiantou que perto de 400 moçambicanos manifestaram interesse em regressar ao país, num processo de repatriamento voluntário e as autoridades moçambicanas estão a criar condições para que o repatriamento se efetive.

Os últimos dados oficiais das autoridades sul-africanas indicam que 12 pessoas morreram vítimas de xenofobia naquele país.

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