Na atualização ao ‘World Economic Outlook’ (WEO) do FMI, um relatório com previsões económicas mundiais divulgado hoje, a instituição afirma que os “incipientes sinais de estabilização” atualmente visíveis “podem perdurar, dando lugar a uma dinâmica favorável entre os ainda resilientes gastos de consumo e a melhoria do investimento empresarial”.

“Outro aliciante poderia ser a menor intensidade de fatores idiossincráticos que travam a atividade das principais economias emergentes, a que se juntam os efeitos da flexibilização monetária e a melhoria do sentimento económico na sequência da ‘primeira fase’ do acordo comercial entre os EUA e a China, com a consequente anulação parcial das tarifas anteriormente aplicadas e trégua a novas taxas”, lê-se no documento.

“Se estes fatores confluírem, a recuperação poderá ser mais sólida do que o atualmente previsto”, acrescenta.

Ainda assim, o FMI adverte que “os riscos de uma evolução em baixa continuam a ser consideráveis”, apontando como fator negativo “as crescentes tensões geopolíticas, particularmente entre os EUA e o Irão, que podem perturbar a oferta mundial de petróleo, prejudicar a confiança e debilitar a ainda frágil retoma do investimento empresarial”.

Outro dos riscos destacados é “o aumento das barreiras alfandegárias entre os EUA e os parceiros comerciais, em particular a China”, que “prejudicou o sentimento económico e agravou as desacelerações cíclicas e estruturais que ocorreram em muitas economias ao longo do último ano”, tendo-se as disputas estendido ao setor tecnológico.

“As perspetivas para uma resolução duradoura das tensões comerciais e tecnológicas continuam indefinidas, apesar de algumas informações esporádicas favoráveis acerca das negociações em curso”, sustenta o FMI, alertando para que “uma maior deterioração das relações entre os EUA e os seus parceiros comerciais (nomeadamente a União Europeia) ou das ligações comerciais envolvendo outros países poderão minar a recente retoma da indústria e do comércio internacionais, pressionando em baixa o crescimento mundial”.

Segundo a instituição liderada por Kristalina Georgieva, a materialização de qualquer uma destas ameaças “poderá desencadear rápidas mudanças no sentimento dos mercados financeiros, realocações das carteiras de investimento para ativos seguros e um aumento dos riscos de financiamento, tanto empresarial como soberano”.

E, adverte, “um endurecimento generalizado das condições financeiras deixaria a descoberto vulnerabilidades financeiras que se acumularam durante os anos de baixas taxas de juro, restringindo ainda mais os investimentos em maquinaria, equipamentos e bens duradouros e debilitando novamente o setor industrial e, eventualmente, o setor dos serviços, o que ampliaria os efeitos da desaceleração”.

Também referidos pelo FMI são os “graves custos humanitários e a perda dos meios de subsistência” que os desastres naturais de origem meteorológica têm provocado em diversas regiões nos últimos anos e cuja continuação poderá levar a “ainda mais perdas em ainda mais países”.

“As alterações climáticas, causa principal da crescente frequência e intensidade dos desastres naturais, já ameaçam as metas ao nível da saúde e economia, e não apenas nas regiões diretamente afetadas”, considera a instituição financeira, advertindo que podem vir a colocar desafios a outras zonas que ainda não sentem os seus efeitos diretos, nomeadamente devido às migrações transfronteiriças ou ao ‘stress’ financeiro (no setor segurador, por exemplo).

O FMI baixou hoje as suas projeções para a economia mundial, estimando crescimentos de 2,9% em 2019, de 3,3% em 2020 e de 3,4% em 2021, sobretudo penalizados pelo desempenho de economias emergentes como a Índia.

As novas estimativas constam da atualização ao WEO do FMI e representam uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais para 2019 e 2020 e de 0,2 pontos percentuais para 2021 face às anteriores previsões de outubro do ano passado.

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