“A situação apresenta ainda imensos e imensos desafios. Para ultrapassá-los é necessário um esforço concertado, de todos, para realmente tomar decisões difíceis, para levar a cabo as reformas que são absolutamente necessárias”, disse a chefe da missão do FMI para São Tomé e Príncipe, Xiangming Li, no final de um encontro com o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus.

O FMI está a fazer uma avaliação da evolução macroeconómica do país, para ajudar a preparar o Orçamento para 2020 e ver se os objetivos que foram estabelecidos têm vindo a ser alcançados.

A missão do FMI conclui na quarta-feira oito dias de avaliação à situação macroeconómica e diz ter constatado que “a questão da falha do combustível” teve um impacto bastante negativo na economia do país.

“Constatamos que a inflação está razoavelmente inalterada, mas há ainda vários problemas, como por exemplo, diminuíram as importações de bens e serviços, diminuíram exportações e isso causa vários problemas”, explicou Xiangming Li.

A missão do Fundo Monetário Internacional lamentou também a arrecadação de receita, que “caiu muito abaixo da meta estabelecida”, propondo como solução a reforma do setor tributário, sem, no entanto, avançar o período em que ocorreu esse problema, bem como o nível de receitas fixado.

“É necessário aumentar a coleta, aumentar a arrecadação fiscal que, infelizmente, caiu muito abaixo da meta que estava estabelecida e isso fez com que o Governo não conseguisse pagar a certos fornecedores, nomeadamente as telecomunicações e a Empresa de Água e Eletricidade (EMAE)”, observou o FMI.

Segundo a organização, com a quebra da receita “estão a surgir problemas com a falta de financiamento para as despesas”.

“Isso só pode ser ultrapassado se a arrecadação for maior, de contrário o Estado vai acumulando dívidas em atraso ou então tem de recorrer a novos empréstimos aos bancos e isto não é sustentável”, alertou Xiangming Li.

Uma das soluções também apontadas pelo FMI para ultrapassar estes problemas é a reforma do setor energético, designadamente da EMAE, aconselhando o Governo a obrigar os cidadãos a regularizar as dívidas de consumo energético e a travar os furtos de energia elétrica.

Quanto ao projeto de Orçamento para 2020, o FMI considera que tem programas “bastante ambiciosos no sentido em que pretende que o sistema tributário seja, de facto, mais sustentável do que é, pretende também melhorar substancialmente o ambiente de negócios e, ao mesmo tempo, proteger os mais desfavorecidos”.

A missão do FMI analisou com as autoridades a evolução do setor financeiro, reservas cambiais, progresso na implementação dos projetos com financiamento externo, operações monetárias, situação dos bancos falidos, evolução comercial e aduaneira, e evolução da dívida externa, entre outros temas.

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