O chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, considerou hoje “estável” o estado da nação, defendendo que o país voltou à rota do crescimento e prosperidade, depois de ter entrado em crise económica e política em 2016.

“Podemos afirmar, com segurança, que o estado da nação é estável e que nos inspira confiança”, declarou Filipe Nyusi, falando na Assembleia da República sobre a situação geral da nação em 2018.

Comentando a avaliação do Presidente da República, o porta-voz da bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Edmundo Galiza Matos Júnior considerou que o diagnóstico esteve à altura da situação real do país.

“Foi um informe que correspondeu inteiramente à realidade do país, abrangeu todos os aspetos relevantes da vida socioeconómica nacional”, considerou Galiza Matos Júnior, falando à comunicação social.

O Governo chefiado por Filipe Nyusi, prosseguiu, colocou o país no caminho da estabilidade política e económica, superando os receios da deterioração da situação em que a nação se encontrava em 2016.

Por seu turno, André Majibire, deputado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), contestou a informação do chefe de Estado sobre a situação anual do país, defendendo que o documento foi superficial em relação ao processo de paz.

“Esperávamos que o chefe de Estado se explicasse em relação às violações pelo Governo do Memorando de Entendimento sobre o processo de paz”, declarou Majibire.

O chefe de Estado, continuou, não clarificou o que esteve por detrás da decisão do Governo de nomear interinamente apenas três oficiais do braço armado da Renamo para cargos de chefia nas Forças Armadas.

O Memorando de Entendimento assinado entre Filipe Nyusi e o líder interino da Renamo, Ossufo Momade, preconiza a nomeação de 14 quados militares do principal partido da oposição para cargos de chefia nas Forças de Defesa e Segurança (FDS).

Por seu turno, o porta-voz da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Fernando Bismarque, contestou o facto de o chefe de Estado ter afirmado no seu discurso que o país está estável, quando a região norte é assolada por ataques de grupos armados.

“Não há estabilidade nenhuma, o Presidente da República não pode apenas dizer que há lá malfeitores, quando estão a ser chacinadas pessoas e destruída propriedade”, declarou Bismarque.

O porta-voz do MDM acusou ainda o Governo de Filipe Nyusi de ser incapaz de evitar a deterioração das condições de vida da população e a impotência em normalizar as relações com os doadores.

Os doadores internacionais cortaram a ajuda direta ao Orçamento do Estado em 2016, após a descoberta de dívidas secretamente avalizadas pelo anterior Governo moçambicano.

Publicidade