“Na vida pública não basta, não pode bastar, não ter sido condenado pelos tribunais, não ter sido ainda acusado pelo Ministério Público. Na vida pública, onde a moral e a ética política têm que ser o maior bem, mais do que ser honesto tem que se ter a certeza que é honesto”, afirmou.

“Não pode existir dúvidas nos nossos irmãos que as pessoas a quem foi ou será conferida a honra de governar os nossos destinos são todos, sem exceção, verdadeiros e sérios”, sustentou Francisco Branco.

O deputado da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) disse que Timor-Leste é visto “como um local onde a corrupção cresce como um vírus” e onde se tem que “cortar a raiz da corrupção”.

Numa declaração política na sessão plenária de hoje Francisco Branco referiu-se, indiretamente, ao processo de formação do VIII Governo que continua num impasse, com o Presidente da República a não dar posse a vários dos nomeados pelo primeiro-ministro.

Francisco Guterres Lu-Olo inicialmente não deu posse a 11 dos membros nomeados pela Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) e pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, nove por alegadamente terem “o seu nome identificado nas instâncias judiciais competentes” e dois por possuírem “um perfil ético controverso”.

Hoje tomou posse um deles, Filomeno Paixão, o ministro da Defesa, mas a maioria continua sem assumir funções, incluindo alguns elementos chave do executivo.

“A recente decisão do Senhor Presidente da República de questionar alguns nomes para o governo enche-nos de orgulho. O Presidente da República considerou, tal como o seu antecessor no cargo – pelo menos enquanto era Presidente -, que para ser ministro no meu país não basta ser honesto, não pode também existir qualquer dúvida sobre o mesmo”, disse.

Para Francisco Branco, basta haver uma “suspeita fundamentada em investigação”, e não é preciso ser condenado por corrupção, para ser impedido de exercer um cargo público.

“Em política não podemos esperar que alguém seja condenado de corrupção, que é quando termina a famosa presunção que invocam. A suspeita fundamentada em investigação, tem que ser suficiente para que o nome do visado não possa merecer a honra de exercer um cargo público”, disse.

“E se compreendo que, por vezes, perante acusações infundadas a pessoa em questão possa ser incorretamente acusada e isso possa ter influência da escolha do Senhor Primeiro-Ministro, já muito me custa aceitar de todas as pessoas, procuradores e juízes incluídos, estejam todas erradas e só o CNRT [partido que integra a AMP) esteja coberto de razão”, disse.

O parlamentar acrescentou: “Já tivemos uma ministra que fugiu para Portugal, quantos mais serão precisos”, referindo-se ao caso da ex-ministra das Finanças Emília Pires, que saiu de Timor-Leste depois de ser condenada em primeira instância.

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