O Fundo Global para o Clima Verde aprovou um pacote de 20 milhões de euros para apoiar Timor-Leste a criar infraestruturas rurais resistentes às alterações climáticas, num projeto que poderá beneficiar mais de 520 mil pessoas.

A decisão foi aprovada na Coreia do Sul na 23.ª reunião do Conselho do Fundo do Clima Verde (GCF na sigla em inglês) onde participou uma delegação timorense liderada pelo secretário de Estado do ambiente, Demétrio Amaral.

O pacote de apoio, que será aplicado nos próximos seis anos, insere-se num programa do Governo timorense, que financiará o projeto com cerca de 36 milhões de dólares (32 milhões de euros), para um total de 59,4 milhões de dólares (52,9 milhões de euros).

Com arranque previsto em 2020, o pacote de apoio destina-se em particular aos municípios de Baucau, Ermera, Aileu, Viqueque, Lautem e Liquiçá.

“Com o aumento do aquecimento global antecipa-se um aumento dos eventos climáticos extremos, tanto em intensidades como em duração, o que coloca em risco ganhos em desenvolvimento económico e social, afetando a vida do nosso povo”, disse Demétrio Amaral, citado em comunicado.

“A aprovação deste projeto, apoiada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é um passo importante para alcançar as nossas prioridades de adaptação, ao mesmo tempo que aborda os fatores de vulnerabilidades”,acrescentou.

O projeto identificou cerca de 130 projetos de infraestruturas rurais que vão ser preparados para serem resilientes ao clima, incluindo 38 sistemas de abastecimento de água, 25 sistemas de irrigação, 216 quilómetros de estradas e infraestrutura de proteção contra inundações.

Antecipa-se que o projeto beneficie diretamente 175.840 pessoas em comunidades rurais ou 15% da população total, com o total de beneficiários a ultrapassar os 522 mil.

Além do investimento em infraestruturas rurais fundamentais – estradas e pontes, sistemas de abastecimento de água, irrigação e proteção contra inundações – o projeto pretende ainda fortalecer os ecossistemas através de medidas de reflorestamento.

Parte do projeto centra-se no reforço de políticas, regulamentos e instituições de Timor-Leste relacionadas com as alterações climáticas e a preparação para responder a desastres naturais.

O desenvolvimento de serviços de informações de risco, mapeamento e monitoramento de vulnerabilidades fazem ainda parte do programa.

O comunicado nota que Timor-Leste sofre já com o impacto ambiental e climático de ciclones tropicais, inundações de rios e deslizamentos de terras e ainda períodos de seca, uma tendência que deverá aumentar com o aumento das temperaturas globais.

Demétrio Amaral sublinhou que o programa pretende “salvaguardar os ativos infraestruturais nas comunidades e também os meios de subsistência dos impactos severos dos desastres provocados pelo clima”.

“Estradas mais resilientes significam acesso mais seguro a mercados, escolas, saúde e serviços administrativos. Uma melhor irrigação e ecossistemas florestais mais saudáveis significarão meios de subsistência mais protegidos”, disse.

O projeto foi formulado em consulta com o Governo, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil e comunidades locais e inclui o uso de novas tecnologias, como drones para mapeamento de risco e avaliação de necessidades pós-desastres naturais.

Tuya Altangerel, responsável do PNUD em Timor-Leste disse que o projeto enfatiza o empoderamento das comunidades locais e o envolvimento das mulheres, respondendo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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