“A resposta jurídica para isso é o ‘impeachment’ [destituição]. (…) Quem exerce um cargo de mandatário do povo para poder criar dias melhores para a população, um diálogo respeitando as instituições, não pode ter um comportamento como esse. O que se espera do Presidente é que ele respeite as instituições, é que ele dialogue com o Congresso, dialogue com os governadores”, disse Witzel, nos Estados Unidos, citado pela imprensa brasileira.

Segundo o governador, que se encontra em Washington, nos Estados Unidos, “apoiar um movimento destrutivo da democracia (…) evidentemente afronta a Constituição” brasileira.

Após a partilha do vídeo, Bolsonaro indicou que usa o WhatsApp para troca de mensagens de “cunho pessoal”, posição que witzel criticou.

“Quer fazer (manifestação) em caráter privado? Renuncie à Presidência da República e pode fazer em caráter privado. Enquanto ele for Presidente, o que ele fala, o que ele faz, o que ele comunica, para quem quer que seja, é uma comunicação do Presidente da República e nós não podemos aceitar que um Presidente, diante de um movimento destrutivo da democracia, compartilhe esse tipo de vídeo”, acrescentou Witzel, que já assumiu que pretende concorrer à Presidência do país.

Em causa está a partilha de vídeos, por parte de Bolsonaro, com a convocação de uma manifestação contra o Congresso, para o dia 15 de março.

Segundo a imprensa local, que teve acesso aos vídeos enviados pelo chefe de Estado na terça-feira a alguns dos seus contactos pessoais no WhatsApp, a manifestação foi convocada por movimentos de direita em defesa do Governo e contra o Congresso brasileiro.

“Ele [Bolsonaro] foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas”, refere a legenda do vídeo com quase dois minutos, que tem o Hino brasileiro como música de fundo e que mostra imagens de Bolsonaro a ser esfaqueado num ato de campanha, em 2018.

“Dia 15 de março vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos, sim, capazes, e temos um Presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15 de março, todos nas ruas a apoiar Bolsonaro”, conclui um dos vídeos a que o jornal Estadão teve acesso.

Juntamente com um dos vídeos, o chefe de Estado escreveu: “15 de março. General Heleno [ministro do Gabinete de Segurança Institucional] / Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.

Os vídeos, cujos conteúdos são semelhantes entre si, foram enviados a membros do Governo e contactos pessoais de Bolsonaro, como é o caso do ex-deputado Alberto Fraga, que confirmou que o recebeu.

Na semana passada, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, acusou o Congresso de “chantagear” o Governo, declarações que geraram polémica. Em causa está a dificuldade no alcance de um acordo entre o executivo e o Congresso sobre a divisão de verbas dentro do chamado Orçamento impositivo.

Após a divulgação dos vídeos por parte de Jair Bolsonaro, o chefe de Estado foi duramente criticado, tendo o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil Celso de Mello considerado que o Presidente que pode incidir no crime de responsabilidade.

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