“Isso mostra que estamos a fazer exatamente a coisa certa”, afirmou hoje a governante alemã, Svenja Schulze, em resposta às declarações de Jair Bolsonaro, proferidas no domingo, de que o Brasil “não precisa do dinheiro” de Berlim para preservar a floresta Amazónia.

“Apoiamos a região amazónica para que haja muito menos desflorestação. Se o Presidente [Bolsonaro] não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar a dar dinheiro enquanto continuam a desflorestar”, acrescentou a ministra ao jornal alemão Deutsche Welle.

No sábado, Svenja Schulze anunciou, em entrevista ao jornal alemão “Tagesspiegel”, a suspensão, por parte do Ministério do Meio Ambiente, do financiamento de projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade na Amazónia, devido ao aumento da desflorestação na região.

Segundo informou o “Tagesspiegel”, num primeiro momento, foram suspensos 35 milhões de euros destinados àquela região florestal.

No entanto, esta interrupção de verbas por parta da pasta do Ambiente não afeta o apoio dado pela Alemanha ao Fundo Amazónia que, criado em 2008, é mantido, maioritariamente, com doações da Noruega e Alemanha.

Questionado sobre o corte do investimento alemão, o chefe de Estado do Brasil afirmou que a Alemanha estava a tentar “comprar” a Amazónia, acrescentando que não necessita desse dinheiro.

“Investir? Ela [Alemanha] não vai comprar a Amazónia. Vai deixar de comprar a prestação a Amazónia. Pode fazer bom uso desse dinheiro. O Brasil não precisa disso”, disse Bolsonaro no domingo aos jornalistas, em Brasília.

Questionado se o congelamento dos valores não teria impacto na imagem do Brasil no exterior, Bolsonaro respondeu: “A imagem do Brasil? Você acha que grandes países estão interessados na imagem do Brasil ou em se apoderar do Brasil?”.

As recentes divulgações do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) apontam que a desflorestação da Amazónia Legal brasileira cresceu 88% em junho e 278% em julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

“Não acredito que os dados que saíram no Inpe sejam verdadeiros. Eu tenho a convicção que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do Inpe para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão”, afirmou Bolsonaro, em 19 de julho, durante uma reunião com a imprensa estrangeira em Brasília, chegando a insinuar que o presidente daquele instituto poderia estar “ao serviço de alguma ONG” (organização não-governamental).

O anterior presidente, que criticou estas declarações do chefe de Estado brasileiro, acabou por ser exonerado, tendo sido nomeado um oficial da Força Aérea como presidente interino.

O Inpe é uma instituição pública federal, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

“Em primeiro lugar, a Amazónia é do Brasil, e quem tem de saber dela somos nós, e não vocês”, acrescentou o Presidente, dirigindo-se a jornalistas estrangeiros que o questionaram sobre a sua política ambiental.

A Amazónia Legal corresponde à área delimitada na Amazónia brasileira em que são permitidas algumas atividades de exploração humana.

Apesar de os dados da desflorestação da Amazónia não agradarem a Schulze, a ministra indicou, no entanto, que pretende manter as conversas com o executivo brasileiro.

“No momento, não está a funcionar muito bem. Mas continuamos a tentar, diplomaticamente”, afirmou a governante.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, possuindo a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios pertencentes ao Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

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