O Governo angolano considerou que o Orçamento Geral do Estado (OGE) 2020, hoje aprovado no parlamento, “é o possível diante das circunstâncias económicas e financeiras” do país, garantindo resolver os problemas dos cidadãos “na medida do possível”.

“Teremos, em 2020, o OGE possível diante das circunstâncias económicas e financeira que vivemos, mas um OGE muito concentrado, naquilo que é a disponibilidade possível, de continuar a priorizar o setor social”, afirmou hoje a ministra das Finanças de Angola, Vera Daves.

Em declarações aos jornalistas no final da terceira reunião extraordinária do parlamento angolano, que aprovou hoje na globalidade a proposta do OGE 2020, a ministra frisou que o Governo “continua firme em honrar os seus compromissos financeiros para reduzir progressivamente o stock da dívida”.

O parlamento angolano aprovou hoje na globalidade o Orçamento Geral do Estado (OGE) para o exercício económico de 2020, com 132 votos a favor do MPLA, 50 contra da CASA-CE, UNITA, ambos da oposição, e duas abstenções do PRS.

Mais da metade do OGE 2020 angolano, que estima receitas e despesas de cerca de 15 biliões de kwanzas (mais de 27 mil milhões de euros), é para pagar o serviço da dívida pública, elaborado ao preço médio do barril de petróleo a 55 dólares.

“[Os recursos disponíveis no Orçamento de 2020] não são os que gostaríamos de ter, não são os melhores”, admitiu a ministra, defendendo a necessidade de se “insistir na qualidade da despesa com rigor e disciplina para satisfação das necessidades”.

“Porque se todos nós formos rigorosos e disciplinados, dispensarmos intermediários, irmos à fonte dos fornecedores de bens e serviços, formos honestos e íntegros e abandonarmos as práticas menos boas, tenho a certeza absoluta que estes recursos que parecem poucos serão muitos para as necessidades que temos que satisfazer”, sustentou.

Em relação ao chumbo da oposição angolana ao OGE 2020, nomeadamente a União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-SE) e o Partido de Renovação Social (PRS), a ministra disse ser um “paradigma histórico” que o Governo angolano “deve contrariar”.

Segundo a governante angolana, há anos que a oposição chumba os orçamentos “transmitindo a ideia de não estar de acordo com determinadas políticas ou formas de gerir”, considerando que “essa ideia deve ser desconstruída”.

“Temos de provar que não é bem assim, que é verdade que os recursos são poucos, mas que o executivo é capaz de que com esses recursos resolver na medida do possível, ou ir resolvendo, os problemas do nosso povo”, rematou.

O OGE 2020 perspetiva um crescimento nominal do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8%, em que o setor petrolífero terá um crescimento de 1,9%.

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