O ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto, mostrou-se esta segunda-feira recetivo a investimentos russos, após dialogar com o seu homólogo da Rússia, noticiou a agência de informação do país.

“Gostaríamos de pedir assistência da Rússia na criação de uma nova Angola, mais aberta a investimentos. Gostaríamos de confirmar e repetir o pedido do nosso líder endereçado ao Presidente russo, Vladimir Putin, para ajudar o setor privado russo a participar na economia angolana através de investimentos diretos”, afirmou o governante, citado pela agência russa de notícias TASS. Segundo a mesma fonte, Manuel Domingos Augusto considera que Angola disponibiliza oportunidades para investidores privados.

“Gostaríamos que não fossem apenas empresas estatais russas a realizar investimentos diretos”, acrescentou o chefe da diplomacia de Angola.

Este mês, o Estado angolano listou para privatização o capital que detém em 195 empresas, incluindo a companhia aérea TAAG ou a petrolífera Sonangol. As privatizações serão feitas através de concurso público, bolsa de valores, leilão em bolsa e concurso limitado por prévia qualificação.

A calendarização prevê um processo faseado, que se estende até 2022, o que se justifica pelas diferentes modalidades de abertura ao setor privado.

Em conferência de imprensa, junto de Manuel Domingos Augusto, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, referiu que a Rússia pretende, durante a sua presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em setembro, focar a atenção do órgão no continente africano.

Resolver “crises, conflitos e outras situações”

“A Rússia irá presidir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas no próximo mês, em setembro, e um dos assuntos chave na nossa agenda diz respeito à assistência às pessoas de África para resolver os seus problemas no que toca a crises, conflitos e outras situações”, disse Lavrov, em Moscovo.

A presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas é rotativa e o mandato prolonga-se por um mês, sendo que a Rússia assume, em setembro, a liderança, sucedendo à Polónia.

“Sublinhamos que perante assuntos tão incisivos como a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança, a Rússia mantém uma posição firme de alcançar um acordo lato com o foco prioritário de ultrapassar o principal objetivo da atual composição do Conselho de Segurança, que é uma sub-representação de países em desenvolvimento”, refere a agência russa.

Para o chefe da diplomacia russa, “a cooperação de Estados africanos com os BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] representou um papel importante na agenda das relações internacionais atuais”.

“Acordámos que continuaríamos com a prática, que começámos em 2018, através de convites das organizações sub-regionais para a cimeira dos BRICS”, disse Lavrov

Em 24 de outubro, a cidade russa de Sochi irá receber a primeira edição da cimeira Rússia-África, para a qual foram convidados mais de 50 países africanos. Os chefes de Estado da Rússia, Vladimir Putin, e do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, irão copresidir a cimeira, sendo que este último preside já a União Africana durante 2019.

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