“Estamos a materializar a constituição da empresa nacional de infraestruturas ferroviárias. Essa entidade é que vai ficar com a responsabilidade de gerir e manter a infraestrutura a nível nacional”, disse o ministro à chegada ao aeroporto Joaquim Kapango, no Cuíto (Bié), hoje reinaugurado após dois anos de obras de modernização.

“Estamos a fechar o dossier para, no início do próximo ano, materializar essa empresa”, adiantou Ricardo de Abreu.

Com a criação da nova entidade desaparecem os atuais Caminhos de Ferro de Benguela (CFB), Caminhos de Ferro de Luanda (CFL) e Caminhos de Ferro de Moçâmedes (CFM).

Em relação à gestão da linha de caminho de ferro de Benguela, com 1.344 quilómetros, reconstruída pelo grupo chinês CR20 Angola International Company e entregue ao governo angolano recentemente, o ministro afirmou que caberá aos responsáveis angolanos.

“Seremos nós a assegurar a manutenção e modernização da infraestrutura. Neste momento é o CFB, mas em breve será outra entidade”, a nova empresa que vai ser criada, declarou.

Quanto ao aeroporto Joaquim Kapango, o governante considerou que não será um “elefante branco”, contribuindo antes para melhorar a conectividade aérea na província do Bié.

Neste momento, o aeroporto é servido por dois voos semanais da companhia aérea angolana TAAG, mas Ricardo de Abreu acredita que a liberalização do mercado vai atrair novos operadores nacionais e estrangeiros, aumentando o fluxo de passageiros.

“O setor da aviação civil ainda tem um espaço muito grande de progressão”, frisou o governante, sublinhando que está a contar com “a dinâmica do setor privado” para promover as ligações interprovinciais.

O ministro acrescentou que já recebeu “várias cartas de manifestações de interesse” de operadores internacionais, sobretudo em aeroportos com potencial para ligações externas, como Luanda, Cabinda, Catumbela (Benguela), Namibe e Lubango (Huíla) mas não revelou quais as empresas interessadas.

“Estamos a fechar todo o quadro regulamentar para as concessões aeroportuárias e aí lançaremos concursos”, adiantou.

O aeroporto agora remodelado, com capacidade para 360 passageiros em horário de pico e uma pista de 2.500 metros, custou 45 milhões de dólares (43 milhões de euros), e foi reinaugurado hoje pelo Presidente da República, João Lourenço.

O chefe do executivo angolano, que se encontra no Bié para uma visita de dois dias, foi saudado à chegada por uma multidão, entre os quais se incluíam partidários do MPLA (partido no poder), muitas crianças e jovens, os tradicionais grupos folclóricos e dezenas de ‘sobas’ (autoridades locais) de toda a província do Bié.

Antes, João Lourenço passou pelo município de Cuemba, pela primeira vez visitado por um chefe de Estado, onde foi recebido pelo governador da província, Pereira Alfredo, e inaugurou um hospital regional.

O município do Cuemba, a cerca de 170 quilómetros da capital do Bié, Cuíto, tem uma população estimada de 61.978 habitantes distribuídos por três comunas, nomeadamente, Sachinemuna, Munhango e Luando, segundo a agência de notícias angolana Angop.

Publicidade