O Governo de Cabo Verde assinou sexta-feira, acordos de cooperação com os municípios portugueses de Marinha Grande, Fundão, Penela e Vagos que vão permitir a pelo menos 100 jovens cabo-verdianos aceder a formação em áreas de metalomecânica, em Portugal.

A informação foi avançada pelo presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Paulo Santos, que acompanha o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, numa visita ao município de Marinha Grande, Portugal.

Uma visita que segundo Olavo Correia visa garantir um “quadro de cooperação, que vai permitir que haja condições para formar jovens em Cabo Verde”, nomeadamente na área da metalomecânica, existindo um “quadro financeiro definido”.

“Também criará oportunidades de emprego em Portugal, [um país] que precisa de mão-de-obra qualificada. Queremos colocar jovens cabo-verdianos a trabalhar em Portugal, tendo a qualificação adequada para o efeito”, salientou em entrevista à Agência Lusa.

Olavo Correia defendeu que “antes de construir estradas e portos”, a prioridade do Estado “deve ser investir na formação e qualificação profissional dos jovens”.

“É um investimento que vale sempre a pena e que tem sempre retorno. Cabo Verde vai fazer um esforço para que todos os jovens que queiram ter uma formação profissional a possam ter, independentemente da condição financeira dos pais”, garantiu o governante.

O arquipélago tem como âncora económica o turismo, mas o governo pretende “diversificar a economia”, porque depender de um só sector torna o país “vulnerável”.

“Queremos aproveitar o turismo como escala para termos a indústria a funcionar, os transportes aéreos, os sistemas financeiros, as tecnologias e a comunicação para termos jovens cabo-verdianos empregados como contabilistas, engenheiros, arquitetos, pilotos, marinheiros, juristas, advogados ou gestores, bem remunerados e com uma vida melhor. É necessária uma economia diversificada com novas oportunidades”, acrescentou.

Considerando que este é um concelho “industrial”, Olavo Correia afirmou que pretende “aprender a adaptar e adaptar a aprender”.

“Queremos aprender com a Marinha Grande e adaptar esse conhecimento a Cabo Verde para poder criar mais oportunidades para os nossos jovens”, disse.

Marinha Grande é considerado líder no sector da metalomecânica em Portugal. Um sector que representa 30 por cento (%) das exportações portuguesas e que emprega mais de 230.000 pessoas.

De acordo com a agenda, durante a sua estada em Marinha Grande, Olavo Correia e comitiva, que integrou ainda o presidente da Pró-Empresa, visitou a incubadora de empresas OPEN, o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, o Centro de Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto (Unidade de Investigação Científica) do Politécnico de Leiria dedicada à indústria e biotecnologia e a fábrica de vidros “Gallo Vidro”.

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