O Governo guineense decretou hoje o preço base de compra do quilograma da castanha do caju ao produtor em 375 francos CFA (cerca de 0,57 euros), mas só autoriza a comercialização após o fim do estado de emergência.

O anúncio foi feito pelo ministro do Comércio, Artur Sanhá, numa cerimónia presenciada, entre outros, por associações representativas de diferentes intervenientes na cadeia comercialização do caju, principal produto agrícola e de exportação da Guiné-Bissau.

No seu discurso, Artur Sanhá disse ter sido mandatado pelo Governo para anunciar o preço de referência, mas também para exortar aos comerciantes que ainda não podem iniciar a compra do produto, sob pena de estarem a cometer infrações à lei.

O ministro indicou ainda que será emitido um alvará ao comerciante que queira comprar a castanha e sem o qual não lhe é permitido operar, avisou.

Para já, Artur Sanha apelou a que seja respeitado o estado de emergência decretado pelo chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló, em decorrência da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

“Enquanto durar o estado de emergência ninguém pode iniciar a campanha”, avisou Artur Sanhá.

O presidente da Associação Nacional dos Agricultores (ANAG) da Guiné-Bissau, Jaime Boles, congratulou-se com a decisão do Governo em fixar 375 francos cfa (cerca de 0,57 cêntimos de euros) como preço de referência e exortou os camponeses a terem em conta que “a castanha não poderá ser vendida por menos de que aquele valor”.

A castanha do caju é um negócio que envolve cerca de 80% da população guineense, sobretudo a população do mundo rural que tem naquele produto a sua principal fonte de rendimento.

A Índia é a principal compradora do caju em bruto da Guiné-Bissau, mas nos últimos anos compradores do Vietname e da China também se interessam pelo negócio.

Dados do Governo guineense indicam que o país produz até 350 mil toneladas da castanha de caju, embora a exportação não ultrapasse as 200 mil toneladas.

O presidente guineense, Umaro Sissoco Embalo já admitiu que em caso de os compradores internacionais não adquirirem o produto, devido à crise provocada pela covid-19, o Estado poderá comprá-lo ao produtor e, posteriormente, vender.

Umaro Sissoco Embaló prolongou no domingo o estado de emergência no país até 11 de maio.

A Guiné-Bissau registou até hoje 74 casos de covid-19, incluindo um morto e 18 recuperados.

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