“Queremos uma cidade limpa, verde e boa para viver e trabalhar”, refere-se num comunicado do Governo, alusivo às celebrações.

“Convidamos a todos os cidadãos a associarem-se a estas celebrações, através de uma cidadania cada vez mais informada, ativa, participativa e empenhada, em favor do bom desenvolvimento da nossa cidade capital em colaboração com o Governo e com as diversas autoridades locais”, sublinha-se.

O executivo notou que a capital timorense constitui um “símbolo de Independência e de desenvolvimento nacional, para a maioria dos cidadãos nacionais e estrangeiros”.

A comemoração dos 250 anos, serve por isso, como “exemplo e referência para refletir sobre os processos de construção, ordenamento e planeamento urbano, em favor de uma cidade que se deseja cada vez mais humana, sustentável e amiga do ambiente, de acordo com as melhores práticas internacionais”.

Há 250 anos Díli era uma pequena aldeia dominada por casas de barro e palapa com telhados de folhas de palmeira e “talimatan”, a palha mais escura que decora muitas das casas tradicionais no país.

Descrevendo Díli em 1800, numa obra intitulada “As Possessões Portuguesas na Oceânia — Descrição da Praça de Dili”, José Joaquim de Sousa mostra o rudimentar da povoação que só acaba por ser elevada a cidade em 1865.

“A praça é um terreno cercado de palapas… dentro d’este cerco, da parte do mar, está a Tranqueira, cujas muralhas são de pedra solta bruta, posta uma sobre a outra, a face que cae para o mar tem dois muros da mesma qualidade, distante um do outro entre elles um entulho de terra e pedra, e onde estão as peças muito velhas e diferentes calibres”, escreveu.

Uma cidade que pouco tinha nessa época, com uma mão cheia de construções na zona central — onde hoje está o Palácio do Governo — e onde um pequeno cais permitia descargas de navios e embarcações.

No seu livro “Timor Português”, editado em 1956, Hélio Felgas notou que a capital timorense foi praticamente destruída durante a 2ª Guerra Mundial, tendo em 1950 “cerca de 6.000 habitantes dos quais metade estrangeiros, entre portugueses, indianos e chineses”.

Felgas recordou que se chegou a pensar transferir a capital para “Nova Dili”, uma “região montanhosa a cerca de 10 quilómetro sul de Díli”, mas o projeto acabou abandonado devido ao “acidentado da região” e elevadas despesas necessárias para o nivelamento, o clima demasiado húmido e a falta de vias de comunicação.

Daí que se tenha optado por recuperar Díli, projeto que só começou em 1951 e que, na altura em que o livro foi escrito, ainda decorria.

A capital de Timor Português, como o território era conhecido na altura, passou da vila de Lifau, no enclave de Oecusse-Ambeno, para Díli, em frente à ilha de Ataúro, em 1769.

A passagem ocorreu depois da tensão que se viveu em LIfau em 1719 devido, em grande parte, a intensos e regulares conflitos entre a hierarquia religiosa, nomeadamente o bispo eleito de Malaca, Frei Manuel de Santos António e os sucessivos governadores.

Uma tensão que quase degenerou em guerra civil, que envolveu envenenamentos (do bispo Geraldo de São José, o terceiro e último bispo de Malaca a residir em Timor) e que se alastrou depois a agitação no reino dos Belos.

Em 1765, o governador Dionísio Galvão é envenenado, com as suspeitas a recaírem sobre os caudilhos de Oecusse, Antonio da Costa e Francisco Hornay.

Em resposta, é enviado de Goa António José Teles de Meneses que, à chegada a Timor, e avaliando a situação, opta por retirar a capital para o reino dos Belos.

Aproveitando dois navios de Macau e juntando todos os beiros e demais embarcações disponíveis, faz embarcar toda a artilharia da praça e os 1.200 habitantes e manda incendiar casas e demolir fortificações.

A 11 de agosto de 1769 abandona Lifau rumo a Díli onde se instala a nova, e atual, capital de Timor-Leste.

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