Os Estados Unidos, Reino Unido e a Austrália pedem ao Facebook que suspenda o programa de encriptação de mensagens, defendendo que esta prática pode prejudicar investigações de abuso de crianças e terrorismo.

Numa carta aberta endereçada a Mark Zuckerberg, o fundador e CEO da maior rede social do mundo, entidades oficiais dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália pedem à rede social que suspenda o plano de encriptação de mensagens. Na carta, é pedido ao líder do Facebook que disponibilize às forças policiais formas de conseguir contornar as encriptações de mensagens, especialmente em casos ligados a abuso de menores ou terrorismo.

A carta é assinada pelo Procurador-Geral dos Estados Unidos William Barr, pelo Secretário da Segurança Interna do Reino Unido Kevin McAleenan, pela Secretária de Estado dos Assuntos Internos do Reino Unido, Priti Patel e pelo Ministro australiano Peter Dutton, avançou o site BuzzFeed.

“Estamos a escrever-lhe para pedir que o Facebook não continue com o seu plano de implementação de mensagens encriptadas end-to-end, em todos os seus serviços de mensagem, sem garantir que não existe uma redução da segurança dos utilizadores ou uma forma de acesso legítimo para ver o conteúdo das comunicações na missão de proteger os nossos cidadãos”, é indicado na carta.

Mark Zuckerberg já reagiu à carta enviada pelos governos, defendendo o plano de encriptação das mensagens, mesmo que isso possa ter impacto nas investigações policiais. A Reuters cita uma das sessões de perguntas e respostas feita com os funcionários da rede social, onde Zuckerberg explicou que tem conhecimento desta possibilidade e que a encriptação vai reduzir as ferramentas ao dispor das autoridades. “Quando estavámos a decidir se avançávamos ou não com a encriptação end-to-end nas várias aplicações, isto foi algo que mais pesou na minha consideração”, terá sido dito.

Ainda assim, o patrão do Facebook ter-se-á mostrado “otimista” relativamente ao papel da rede social na identificação de possíveis agentes perigosos, não fechando a porta a ferramentas que possam limitar possíveis conversas entre adultos e menores nas redes sociais.

“A encriptação end-to-end já protege as mensagens de milhares de milhões de pessoas todos os dias. É, de uma forma crescente, usada na indústria das comunicações e noutros setores importantes da economia. Estamos contra as tentativas dos governos de criar backdoors porque isso pode minar a privacidade e a segurança das pessoas em todo o lado”, indicou o Facebook, através de comunicado.

Por um lado, as entidades oficiais que fizeram o pedido a Mark Zuckerberg referem “não querer demonizar o Facebook”, referindo inclusive que a empresa tem sido muito cooperante a disponibilizar provas em milhões de casos de exploração infantil. Por outro, os oficiais norte-americanos também recordam que “há grandes preocupações” se o Facebook implementar a nova lógica de encriptação nos serviços de mensagens.

Em março, Mark Zuckerberg anunciou que as mensagens iriam mudar nos produtos do universo Facebook, com um forte foco na encriptação de mensagens.

Não é a primeira vez que as autoridades policiais apontam a encriptação em produtos e serviços tecnológicos como um entrave a investigações policiais. Há algum tempo, gerou-se o debate sobre o assunto, quando em 2016, a Apple recusou-se a criar uma backdoor que permitisse ao FBI aceder ao iPhone de um suspeito de terrorismo.

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