O ataque ocorreu por volta das 5.45 horas locais (menos duas horas em Portugal continental), na fronteira entre os distritos de Gôndola (Manica) e Chibabava (Sofala), tendo atingido três camiões de carga, que ficaram imobilizados no local, disse Nascimento Montanha, um dos motoristas que teve o camião atacado.

“Só escapei porque quando percebi os primeiros tiros baixei a cadeira e conduzi agachado por dois quilómetros até o carro desligar o motor sozinho, devido aos tiros”, descreveu Nascimento Montanha.

Segundo o camionista, o grupo disparou pelo menos 23 balas contra o seu camião, que mesmo assim, prosseguiu por mais dois quilómetros. “Quando o carro parou, fugi para o mato. Mas já estava a dois quilómetros do ponto do ataque”, acrescentou.

O motorista, que a Lusa encontrou no ponto em que o camião avariou, referiu que “todas as balas foram contra a cabine: umas na porta, outras no para-brisas e outras na frente do carro e furaram radiador e bomba de ar”.

Além do camião de Nascimento Montanha, dois outros foram atacados e ficaram avariados quase no mesmo local, um dos quais acabou por arder.

Lucas Razão, camionista que faz o mesmo trajeto, disse que desistiu da viagem quando viu um dos camiões atacados em chamas, após tentar passar pelo local uma hora depois do incidente.

“Tive de regressar a Inchope porque não havia condições para prosseguir viagem. A via estava bloqueada e eu podia ver chamas e fumo no fundo. Não podia arriscar e decidi voltar”, acrescentou Lucas Razão.

Um residente daquela zona contou que quando os disparos começaram as pessoas que vivem nas proximidades se refugiaram nas matas.

“Ouvimos tiros logo pela manhã e, quando espreitamos [pelas janelas], começamos a ver chamas. Fugimos para as matas. Ficamos por lá por algum tempo e, quando voltamos, havia camiões atacados e em chamas”, descreveu o residente, que preferiu falar sob anonimato.

Até às 14 horas locais, quando a Lusa abandonou o local, os três camiões atacados continuavam naquele ponto.

Em outubro, mais de 50 camionistas protestaram contra a insegurança na Estrada Nacional nº 1, centro de Moçambique, exigindo uma “ação enérgica” por parte das autoridades face aos ataques contra viaturas naquela região.

Os ataques de hoje surgem na sequência de outros que já fizeram pelo menos 10 mortos desde agosto em estradas e povoações das províncias de Manica e Sofala, por onde estão entrincheirados guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) liderados por Mariano Nhongo.

O grupo tem ameaçado recorrer à violência armada para negociar melhores condições de reintegração social do que as acordadas pelo seu partido com o Governo, mas, por outro lado, também se tem recusado a assumir a autoria dos ataques.

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