Um grupo de 15 ex-presidente e dirigentes de futebol, encabeçado por José Godinho, ex-presidente da Oliveirense, apelam para a saída de Pedro Proença da liderança da Liga de clubes, garantindo que ele é o responsável pela “situação danosa”.

Num comunicado a que a agência Lusa teve acesso, este grupo defende que, “ultimamente, tem-se assistido a um gradual e inusitado degradar da imagem da Liga Portugal, muito por responsabilidade dos titulares dos seus órgãos estatutários, designadamente o Exmo. Senhor Presidente da Liga Pedro Proença, o qual, tendo sido eleito Presidente da Liga Portugal em 2015, conseguiu ao fim de quatro anos, em 2019, ser reeleito para novo mandato até 2023”

“A sua atuação, como titular daquele órgão, tem revelado um autêntico, contínuo e reiterado desrespeito pelas mais elementares normas jurídicas, estatutárias e regulamentares, conduzindo a Liga Portugal para a completa descredibilidade e inusitado desprestígio, quer institucional, nas suas relações externas com terceiros, quer internamente, nas relações com associados, demais órgãos e funcionários”, pode ler-se no comunicado.

O grupo de dirigentes acusa Pedro Proença de ser “adepto da usurpação de poderes, uma vez que pratica e legitima atos que são da competência de outros órgãos estatutários da Liga, como é o caso da aprovação pela Direção da Liga, com o voto do presidente, da alteração regulamentar, ocorrida em maio de 2020, do regime de subidas e descidas entre as competições profissionais, cuja competência é, em termos estatutários e regulamentares, exclusiva da Assembleia Geral”.

Neste documento, o presidente da Liga de clubes é ainda acusado de desvio de poder.

“Não poucas vezes, o presidente da Liga resvala para o desvio de poder, dado que exerce as suas atribuições para atingir fins diversos daqueles para os quais essas atribuições foram conferidas, como se pode verificar pelo número de funcionários da Liga e das despesas com vencimentos, alguns com vencimentos semelhantes aos dos diretores executivos, que aumentaram exponencialmente, bem como pela abertura de uma delegação em Lisboa para justificar as suas ausências frequentes da sede no Porto, onde só comparece duas vezes por semana”, garantem ainda.

Além disso, defendem que Pedro Proença “não demonstra ser um digno representante da Liga perante a Federação Portuguesa de Futebol, as organizações de futebol nacional e internacional, a administração pública e demais entidades públicas e privadas”, dando um exemplo.

“Verificou-se isso na gestão da crise sanitária causada pelo covid-19, com repercussões no futebol profissional, visto que é constantemente preterido nas reuniões entre as principais sociedades desportivas nacionais do FC Porto, Sporting e Benfica com o Primeiro Ministro, nos encontros entre clubes e sociedades desportivas, na negociação com o maior patrocinador da Liga NOS, e até no menosprezo da Liga por parte das autoridades sanitárias no procedimento para autorização do início da I Liga, onde tudo é conduzido e orientado em conjunto com a FPF”, pode ler-se.

Neste sentido, acusam o presidente da Liga de mentir quando refere que chegou à Liga e encontrou “uma situação de insolvência, sem dinheiro para fazer face aos seus compromissos”, recordando que “herdou o contrato celebrado com a NOS, pelo período de 3 anos e no montante aproximado de 5 milhões de euros por ano, o qual tinha o direito de opção da NOS poder prolongar o contrato por mais 3 anos (até ao final da época desportiva 2020/2021, no montante superior a 5 milhões de euros por ano), direito esse que a NOS exerceu, sem que para isso tenha havido qualquer renegociação”.

O documento aborda ainda outras “heranças” da liderança de Luís Duque na Liga e que, nas mãos de Pedro Proença, acabaram por não ter sucesso.

“Pedro Proença herdou as negociações com a LEDMAN para ser patrocinador principal da II Liga, cujo contrato foi concluído por Pedro Proença, tendo, no entanto, esse patrocinador, um ano antes do contrato terminar, resolvido o contrato com justa causa, deixando de pagar esse mesmo ano, e até hoje a Liga não exigiu judicialmente esse pagamento”, denunciou também.

O grupo de ex-presidentes e dirigentes de futebol teme “um horizonte negro em termos de sobrevivência enquanto instituição e também de um futuro estável para os seus mais de 100 funcionários”.

Publicidade