“Queremos apelar ao Governo, na pessoa do Presidente moçambicano [Filipe Nyusi], para interromper o diálogo com Ossufo Momade”. Caso insistam, “as consequências podem cair para o povo moçambicano, povo pobre e que não tem nada a ver com política. Apelamos a estas pessoas para nos respeitaram porque a Renamo somos nós”, escreve-se num comunicado lido hoje num conferência de imprensa pelo grupo a partir da Gorongosa, no centro do país.

O grupo, liderado pelo major-general da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) Mariano Nhungue e que se autodenomina Junta Militar da Renamo, considera que Ossufo Momade já não é líder daquela força, acusando-o de estar “raptar e isolar” oficiais da Renamo que estiveram sempre ao lado do falecido presidente do partido, Afonso Dhlakama, que perdeu a vida a 03 de maio do ano passado.

“Apelamos ao público moçambicano e ao grupo de contacto da comunidade internacional nas negociações para pautarem pela calma, porque a Junta Militar da Renamo vai anunciar brevemente medidas exequíveis e que permitam o bom andamento do processo político de paz”, refere o documento.

O grupo do major-general da Renamo Mariano Nhungue vem exigindo a demissão de Ossufo Momade desde início de junho, acusando-o de estar a destruir o partido e ameaçando-o de morte.

Na sua primeira aparição após as contestações, a 24 de junho, o presidente da Renamo, Ossufo Momade, disse tratarem-se de “forças diabólicas” que estão a tentar manchar o “bom nome” do seu partido, considerando que os guerrilheiros que exigem a sua demissão estão a ser instrumentalizados.

O Governo moçambicano e a Renamo continuam a negociar uma paz definitiva em Moçambique, tendo as partes previsto que até agosto, antes das eleições gerais de 15 de outubro, seja assinado um acordo de paz no país.

Um dos pontos mais complexos das negociações tem sido a questão do desarmamento, desmobilização e reintegração dos homens armados da Renamo.

O principal partido da oposição exige a presença dos seus quadros no Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) e nas academias militares, o que não tem tido resposta por parte do executivo moçambicano.

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