Guiné-Bissau: “52 por cento das meninas têm acesso ao primeiro ano de escolaridade mas só 15 por cento atinge o 12º ano”, diz a UNICEF

0

A representante adjunta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF),disse esta quinta-feira que um estudo recente aponta que na Guiné-Bissau apesar dos avanços verificados no sector educativo apenas 52 por cento das meninas de famílias com economia mais baixa têm acesso ao primeiro ano de escolaridade e delas, só 15 por cento atingem o décimo segundo ano.

Cristina Brugiolo que falava na cerimónia de  enceramento do ano lectivo findo e da Abertura do ano lectivo  2017/18, disse que em sentido inverso,93 por cento dos meninos vindos duma família com economia mais rica e de meio urbano frequentam o primeiro ano de escolaridade e, destes 78 por cento atinge o nível mais elevado do ensino.

“Observando este grande contraste de género no país e esta trajectória descendente de uma geração de crianças de 6 anos, podemos ver que, no seu percurso escolar, desde cedo a criança é confrontada com vários obstáculos entre os quais, o começo de estudos depois dos seis anos, a cobertura escolar insuficiente e incompleta “, disse.

A responsável informou que apenas 25 por cento das escolas do ensino básico oferecem os primeiros dois ciclos de escolaridade completos, ou seja a escolaridade gratuita e obrigatória, é um processo de ensino-aprendizagem que regista um número limitado de dias úteis de ensino.

Cristina acrescenta que  o sistema educativo guineense ainda apresenta inúmeros desafios e precisa mais  de apoio coordenado dos seus actores à todos os níveis.

“Apesar disso, seria um erro pensar que a solução destes problemas esteja apenas nas mãos do Governo, dos parceiros como Banco Mundial, Unicef, Unesco, Plan entre outros ,ou que a solução esteja na tão desejada estabilidade política “, informou.

A solução, segundo  ela,  deve vir de cada um dos actores fundamentais da educação que são, os pais e encarregados de educação, alunos e professores.

A representante-adjunta da Unicef disse que os pais  devem sentir a importância da educação, matriculando os filhos incluindo as meninas na idade certa que é de seis anos, e que os alunos devem valorizar o grande investimento dos pais e Governo em assegurar o ensino gratuito e de qualidade e cuidar de todos os bens postos a disposição.

“Em fim, os professores aos quais os pais entregam os próprios filhos confiando na sua obrigação de cuidador e de formador, tem um outro prestigio que é de contribuir de uma maneira substancial e positiva para o desenvolvimento do capital humano”, referiu Cristina Brugiolo.

A responsável apelou aos professores  para  explorarem todas as opções de diálogo construtivo e responsável na resolução de qualquer dificuldade que a profissão enfrenta, de maneira a não privar a esta geração o direito fundamental à educação.

Publicidade