O candidato às eleições presidenciais de 24 de novembro na Guiné-Bissau apoiado pela Frente de Salvação Nacional (Frepasna), Baciro Djá, considerou hoje que o aproveitamento político das etnias e religião é grave.

“A maior conquista dos guineenses e do legado de Amílcar Cabral foi a consolidação da unidade nacional. Hoje essa unidade nacional está em causa, muitos políticos estão a aproveitar-se das sensibilidades étnicas e religiosas para tirarem proveito político e isso é grave”, alertou Baciro Djá, em entrevista à Lusa.

Para o antigo primeiro-ministro guineense, um político preparado, patriota e comprometido com o país “não pode trazer para o debate político o aspeto tão sensível da etnia e da religião”.

“Nós estamos preocupados com isso e é por isso que apelamos à sociedade guineense e política para de facto enveredarem por discursos que possam trazer os guineenses para uma base de unidade nacional e não de separação”, salientou.

Baciro Djá apelou aos guineenses para que, no dia 24 de novembro, escolham um “homem de Estado” e com experiência política e de governação.

“Muitas vezes os guineenses queixam-se que são os políticos os responsáveis pela situação em que o país se encontra. É verdade. Mas também não deixa de ser verdade que quem escolhe os políticos é o povo e o povo deve saber escolher uma pessoa que possa de facto consolidar um verdadeiro Estado democrático e uma verdadeira Nação guineense”, afirmou.

Baciro Djá criticou também o que considera ser o “clientelismo político”, sublinhando que na Guiné-Bissau não há um problema ideológico, simplesmente porque os políticos não têm ideologia.

“É uma questão de clientelismo político, porque a maioria deles são comerciantes, homens de negócios, que assaltaram a política, são alpinistas políticos, que chegaram à política e querem fazer da política tráfico de influências”, disse.

“Peço aos guineenses, no dia 24 não vamos escolher o homem mais bonito ou mais rico, vamos escolher o homem que tem mais experiência política, aquele homem que tem mais preparação, mais capital de relações internacionais e cultura de Estado”, afirmou.

Na entrevista, Baciro Djá deixou também críticas à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política na Guiné-Bissau desde 2015.

“A CEDEAO tem tido um papel incongruente neste conflito político institucional na Guiné-Bissau. A CEDEAO não tem tido um papel de facto firme e coerente na Guiné-Bissau. É uma organização de que fazemos parte, necessitamos dessas organizações, mas a CEDEAO tem de saber que a Guiné-Bissau é um Estado soberano e independente”, afirmou.

Baciro Djá deixou também críticas ao candidato Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), salientando que o Estado da Guiné-Bissau é laico e que isso deve ser respeitado, referindo-se ao uso do lenço utilizado por homens muçulmanos na cabeça e que é a “imagem de marca” daquele candidato.

“Mas o mais importante é que o que está atrás do lenço, o conteúdo é o mais importante. Nós não podemos permitir que a Guiné-Bissau seja um Estado refúgio de salafistas, de terroristas e de fundamentalistas religiosos, não podemos permitir que na Guiné-Bissau existam pessoas que recebem fundos de fundamentalistas religiosos, isto é grave, e a sub-região, a comunidade internacional não pode permitir isso”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro, que disse querer o voto de todos os guineenses, salientou também que o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) não pode ser mais importante que o país, quando questionado sobre o tráfico de droga.

“Quando o PAIGC está no poder há tráfico de droga. É uma casualidade ou uma realidade? Questão a colocar os guineenses”, disse Baciro Djá, que foi vice-presidente daquele partido.

O candidato considerou também que nas legislativas de março passado as consciências das pessoas foram compradas com o dinheiro da droga e do fundamentalismo religioso.

“Isso é grave para um país. Qualquer dia vamos ter um traficante de droga como chefe de Estado, um salafista fundamentalista religioso como chefe de Estado e isso é um perigo para o Estado da Guiné-Bissau, é um perigo para a unidade nacional, é um perigo para sub-região e é um perigo para a comunidade internacional”, acrescentou.

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