O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido de Renovação Social (PRS), maiores partidos guineenses, vão arrancar com as suas campanhas eleitorais com comícios em Gabu, segunda cidade da Guiné-Bissau.

Já o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), partido criado por um grupo de dissidentes do PAIGC, que venceu as legislativas de 2014, vai fazer o seu arranque de campanha na cidade de Bafatá.

A campanha eleitoral para as eleições legislativas, que estiveram inicialmente marcadas para 18 de novembro do ano passado, arranca em tensão política, que começou em 2015 depois da demissão de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, do cargo de primeiro-ministro, e que se adensou com os problemas registados no recenseamento eleitoral.

Os cadernos eleitorais definitivos ainda não foram divulgados pelo Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral, o que tem provocado um aumento da crispação política entre alguns partidos políticos e o Governo em funções.

Um protesto de estudantes na semana passada, que culminou em distúrbios e atos de vandalismo, também foi criticado por vários quadrantes políticos, que consideraram que o objetivo era adiar as eleições legislativas de 10 de março.

Com as eleições legislativas, os guineenses pretendem pôr fim à crise política que se arrasta há quase quatro anos, durante a qual foram nomeados sete primeiros-ministros, e que teve reflexos no desenvolvimento económico e social do país, considerado um dos mais pobres do mundo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, referiu num relatório divulgado quarta-feira que a situação na Guiné-Bissau continua frágil e que a desconfiança entre atores políticos e as “manobras políticas” continuam a dificultar o processo eleitoral.

Num comunicado, os cinco parceiros internacionais do país, nomeadamente Nações Unidas, União Europeia, União Africana, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), apelaram a um “ambiente propício para a organização de eleições pacíficas, transparente e inclusivas”.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições, José Pedro Sambu, pediu aos partidos políticos para se absterem de utilizar propaganda indecorosa, linguagem e “praticarem atos que possam incitar o ódio, a violência, desordem, guerra, injúria ou difamação” e pediu o respeito pelo Pacto de Estabilidade e Código de Conduta Eleitoral, assinado quinta-feira pelos participantes no processo político.

Num discurso, o Presidente guineense, José Mário Vaz, apelou ao voto consciente nas eleições legislativas e para que os partidos políticos realizem uma campanha eleitoral serena e sem discursos violentos.

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