Os representantes dos 15 países da Comunidade de Países da África Ocidental (CEDEAO), onde se inserem os lusófonos Guiné-Bissau e Cabo Verde, iniciaram a reunião à porta fechada à margem da 33.ª cimeira da União Africana, num encontro que tem como ponto único a análise do impasse após a divulgação dos resultados das eleições presidenciais de 29 de dezembro na Guiné-Bissau.

Nos minutos iniciais da reunião, que foram abertos à imprensa, o chefe de Estado do Níger, Mahamadou Issoufou, que detém a presidência rotativa da organização, classificou como “critica” a situação política e institucional na Guiné-Bissau.

Considerando que “é suscetível de evoluir para uma crise”, Mahamadou Issoufou pediu esforços aos membros da comunidade para encontrar soluções consensuais que permitam ultrapassar o atual diferendo.

A Guiné-Bissau vive um impasse pós-eleitoral depois de Sissoco Embaló ter sido declarado vencedor das eleições presidenciais, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), cuja segunda volta foi realizada no dia 29 de dezembro.

O seu adversário, Domingos Simões Pereira, que concorreu com o apoio do Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau em Cabo Verde, que detém o Governo do país, recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça, pedindo a anulação das eleições, por alegadas fraudes e irregularidades.

O Supremo Tribunal ainda não se pronunciou sobre o pedido de Simões Pereira.

A comissão da União Africana (UA), que em janeiro felicitou Sissocó Embalo pela vitória nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau, retirou, entretanto, o convite que lhe tinha endereçado para participar na cimeira deste fim de semana, considerando que o representante legítimo da Guiné-Bissau na Cimeira da UA é o Presidente em funções, José Mário Vaz.

A Guiné-Bissau está representada na cimeira por Suzy Barbosa, que se demitiu de ministra dos Negócios Estrangeiros e a que o Presidente José Mário Vaz deu “plenos poderes” de representação, em detrimento do primeiro-ministro, Aristides Gomes, e da nova ministra dos Negócios Estrangeiros, Ruth Monteiro.

Apesar da retirada do convite, Umaro Sissoco Embaló está em Adis-Abeba, onde tem mantido encontros com chefes de Estado da organização.

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