O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) disse hoje que vai analisar os resultados obtidos pelo partido nas legislativas de domingo, mas considerou que fatores externos influenciaram a “expressão livre dos guineenses”.

Domingos Simões Pereira falava aos jornalistas depois de um discurso dirigido na sede do partido a vários dirigentes do PAIGC, antes de se dirigir aos apoiantes que se reuniram para celebrar a vitória nas legislativas de domingo, depois de anunciados os resultados pela Comissão Nacional de Eleições.

O PAIGC venceu as legislativas de 10 de março, com 46,1 por cento dos votos, mas só assegura uma maioria absoluta no parlamento com acordos eleitorais, segundo os resultados provisórios hoje anunciados.

Questionado pela Lusa sobre o que contribuiu para o PAIGC não ter conseguido alcançar a maioria absoluta, que pediu durante a campanha eleitoral, Domingos Simões Pereira disse que é “algo que se deve escalpelizar nos próximos tempos”.

“É próprio do exercício democrático, depois das eleições, fazermos uma avaliação daquilo que aconteceu. Se nós avaliarmos os números despedidos da contextualização do momento político que vivemos e da dificuldade que alguns órgãos de soberania tiveram e continuam a ter em fazer um jogo equidistante do processo, então não estão a perceber muito bem o momento que vivemos”, afirmou.

Salientando que o PAIGC aceita o mandato que recebeu, Domingos Simões Pereira destacou, contudo, a posição de que “vários fatores externos ao processo influenciaram e comprometeram aquilo que é a expressão livre do povo guineense em relação” às eleições.

“Não escapou à comunicação social a captura que foi feita em termos de droga, a circulação de capital que aconteceu nas últimas horas antes do ato eleitoral e o facto de vários partidos terem escolhido a divisão, a segmentação social, como forma de atrair os votos”, afirmou, quando questionado para especificar o que comprometeu a expressão dos eleitores.

O líder do PAIGC disse também que o seu partido “congrega toda a nação guineense” e que o seu trabalho vai ser o de unir novamente a nação guineense para que as próximas legislativas “decorram num outro ambiente e clima”.

“Lamentamos o facto de os números anunciados não coincidirem com aquilo que era a nossa expectativa, lamentamos o facto de nos últimos dias e mesmo nas últimas horas terem circulado informações que davam a maioria absoluta para o PAIGC, mas o PAIGC é um partido democrático, que respeita as instituições e sabe que a CNE é a única entidade competente para se pronunciar sobre os resultados eleitorais”, disse.

De acordo com a Comissão Nacional de Eleições (CNE), o PAIGC teve 47 dos 102 mandatos do parlamento, um número a que se somam os eleitos dos partidos que celebraram acordos com deputados eleitos pela Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB, o quarto mais votado, 5 deputados), União para Mudança (UM, 1 deputado) e Partido da Nova Democracia (1 deputado).

Em segundo e terceiro lugar ficaram, respetivamente o Movimento para a Alternância dos Democrática (Madem-G15, 27 deputados) e o Partido da Renovação Social (PRS, 21 deputados) que também anunciaram na terça-feira um acordo de governo, na expectativa de governarem.

Publicidade