“O PCD aglutina no seu seio muita juventude. Uma geração mais nova, equidistante dos problemas do passado, que hoje almeja um futuro melhor e nessa realidade pensamos numa refundação do Estado”, afirmou Vicente Fernandes, em entrevista à Lusa.

“Isso passa pelo reforço das instituições que acabam por ser os pilares da democracia, entre os quais a reforma do setor da justiça, da defesa e segurança, da administração pública e daquilo que é um pilar de consolidação de desenvolvimento de qualquer país, o ensino, que é o nosso calcanhar de Aquiles”, salientou.

Para Vicente Fernandes, atual ministro da Comércio e Turismo, a Guiné-Bissau não evolui para “patamares mais apetecíveis”, porque os dirigentes do passado não refundaram as instituições pilares da democracia.

“Essencialmente, porque não formaram homens e acabaram por inverter a pirâmide e hoje estamos a sofrer com aquela inversão de valores. Aqueles que têm algo para dar, acabam por ser subalternizados e aqueles que não têm nada para dar, que não passam de políticos de escárnio e mal dizer, assumiram a liderança do país”, afirmou.

Para inverter o cenário, Vicente Fernandes afirmou que o PCD vai dar “importância capital ao ensino”, que será alargado e abrangente, e apostar na formação técnico-profissional.

“Pensamos que é importante dar voz a esta camada da população jovem, que hoje está em desespero total por não ter futuro, porque não lhes foi dada e o PCD quer devolver-lhes a esperança”, afirmou.

Além da educação, o líder do PCD defendeu também a reestruturação do setor da justiça, com a criação de condições financeiras e técnicas para o exercício da profissão, e a das forças de defesa, que pretende ver especializadas, bem como uma revisão constitucional, para clarificar ações e comportamentos.

“É impossível termos um quadro numérico tão grande num país pequenino e que não tem condições de suportar a manutenção de umas Forças Armadas cujo número ultrapassa a capacidade financeiras”, disse.

O líder do PCD lamentou que a Guiné-Bissau continue a priorizar o setor da defesa em detrimento do ensino.

“Nós queremos refundar o Estado e é nessa visão futurista que alicerçamos os nossos projetos, os nossos objetivos, é algo que todos os guineenses sonham e penso que é este sonhar, este querer nosso, do PCD, que nos vai trazer algum resultado positivo”, afirmou.

O PCD, partido que conseguiu eleger dois deputados nas legislativas de 2014, é uma das formações políticas que assinou um acordo político de compromisso pré e pós-eleitoral com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Partido da Nova Democracia, Partido da Unidade Nacional e União para a Mudança.

Estes cinco partidos estiveram sempre juntos durante a crise política que o país vive desde 2015, quando o Presidente guineense, José Mário Vaz, demitiu do cargo de primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, que venceu por maioria as legislativas de 2014.

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