O Presidente eleito guineense, Umaro Sissoco Embaló, minimizou hoje a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de ordenar o “apuramento nacional” dos resultados, já depois de terem sido validados formalmente.

“Estou muito descansado, porque a interpretação jurídica” é “como a matemática” e “a única entidade competente para publicar o resultado é a Comissão Nacional de Eleições” (CNE), disse o vencedor das eleições, segundo os resultados definitivos divulgados por aquele órgão.

“A Guiné-Bissau já tem um Presidente eleito, que é o Umaro Sissoco Embaló, general do povo”, disse, em entrevista à Lusa, em Lisboa, onde irá ser recebido, a título privado, pelo Presidente e pelo primeiro-ministro portugueses, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.

Na sexta-feira, a CNE publicou os resultados definitivos das eleições presidenciais, confirmando na segunda volta a vitória de Sissoco Embaló com 293.359 votos expressos, o que corresponde a 53,55 por cento dos votos.

Após a publicação dos resultados, o STJ divulgou uma aclaração do acórdão anterior, a pedido de Domingos Simões Pereira, derrotado nas eleições de dezembro, exigindo àquele órgão que cumpra a lei eleitoral, procedendo-se às “operações do apuramento nacional” para “garantir a liberdade e sinceridade da formação da vontade eleitoral” do povo.

Ora, para o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), que apoiou o candidato derrotado na segunda volta, o acórdão obriga a uma recontagem dos votos e não apenas à verificação das atas e exigiu à CNE o cumprimento dessa decisão.

Essa decisão é “uma questão júnior, meramente júnior, porque já estou preocupado com uma política que impacte a população guineense”, disse Sissoco Embaló, assumindo-se como vencedor legítimo e de facto das eleições, tendo já agendada a tomada de posse para 19 de fevereiro.

Para Sissoco Embaló, a política é “um jogo de risco” e Domingos Simões Pereira perdeu.

Durante a campanha, Sissoco Embaló disse que “não teria nenhum problema em nomear Domingos Simões Pereira como primeiro-ministro no caso de o PAIGC manter a maioria”.

Mas, hoje, “estou a reconsiderar” porque “gosto de ter pessoas honestas e sérias” e Domingos Simões Pereira tem tido um “comportamento infantil”, armando-se em “chico esperto” ao não reconhecer os resultados eleitorais de 29 de dezembro, disse.

Na segunda volta, Sissoco Embaló ficou convencido de que iria ganhar, depois de ter recolhido apoios dos principais candidatos derrotados na primeira volta.

“Eu vim da sociedade castrense e sou oficial da inteligência militar, pelo que sei quais são as alianças que eu podia fazer para ganhar”, explicou.

“Quando obtive aquelas alianças com o Nuno Nabian, José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior [terceiro, quarto e quintos classificados], disse ao meu assessor para fazer as contas: ‘olha vamos ganhar as eleições'”, disse.

Na campanha, “Domingos Simões Pereira tinha toda a máquina do tesouro público”, numa referência ao facto de o PAIGC ser o partido com maioria parlamentar e que tem o primeiro-ministro.

“Mas não tenho culpa de ser carismático e de ser o candidato em quem os pobres confiam mais”, resumiu Sissoco Embaló, prometendo que a Guiné-Bissau “não será nunca mais a República das bananas”.

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