Os resultados provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) atribuem ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) 47 dos 102 lugares no parlamento, 27 ao Movimento para Alternância Democrática (Madem G-15), e 21 ao Partido da Renovação Social (PRS).

A Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) ficará com cinco lugares no novo parlamento, enquanto a União para Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), terão um deputado cada.

Para Miguel de Barros, os resultados eleitorais, além de representarem um “pronunciamento sancionatório” aos atores da crise política que afeta a Guiné-Bissau desde 2015, também demonstram uma “clara rejeição ao bipolarismo” que era interpretado entre o PAIGC e o PRS.

O analista vê nestes resultados, acima de tudo, um “benefício de dúvida ao PAIGC” por parte do eleitorado, mas também “uma responsabilização ao Presidente da República pelo falhanço da legislatura”.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, demitiu o Governo saído das eleições legislativas de 2014, na altura liderado por Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, alegando, entre outros, corrupção, nepotismo e quebra de confiança institucional entre os dois titulares de órgãos de soberania.

Olhando para o futuro a partir da votação do último domingo, Miguel de Barros prevê uma agenda presidencial, envolvendo quatro atuais figuras políticas de momento: José Mário Vaz, Presidente da República, Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, Braima Camará, coordenador do Madem G-15 e Nuno Nabian, líder da APU/PDGB.

Nabian, que agora se aliou ao PAIGC para viabilizar o próximo governo no parlamento, foi o segundo candidato mais votado nas presidenciais de 2014, ganhas por José Mário Vaz, então apoiado pelo PAIGC, com o qual se incompatibilizou, entretanto.

É à volta da questão das eleições presidenciais, que devem decorrer ainda este ano, que todo o debate se fará daqui para frente, observou Miguel de Barros.

O analista criticou também o “imobilismo” dos partidos em relação à aplicação da lei da paridade entre os géneros que obrigava a uma quota mínima de 36% de mulheres nas listas de candidatos a deputado.

“Foram eleitas apenas 14 deputadas, tal e qual como na última legislatura, fruto da ausência do caráter obrigatório da aplicação da quota mínima aprovada no parlamento”, defendeu Miguel de Barros.

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