Num comício popular na localidade de Ingoré, no norte do país, Umaro Sissoco Embalo, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15, líder da oposição), avisou que “ou os guineenses morrem todos, ou então vivem em paz para sempre” se alguém for anunciado como vencedor das eleições, sem que seja num processo transparente.

Antecedendo a intervenção de Umaro Embaló, Marciano Barbeiro e Abdu Mané haviam indicado que a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) pretende reforçar o contingente militar na Guiné-Bissau para “vir dizer depois que alguém ganhou as eleições, na primeira volta”.

“Querem declarar a vitória de Domingos Simões Pereira, sem que alguém ouse contestar, mas estão enganados”, observou Marciano Barbeiro, antigo ministro e atual deputado do Madem-G15.

Domingos Simões Pereira é o candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que venceu as legislativas de março no país.

Umaro Embaló mostrou-se confiante na vitória e afirmou que a Guiné-Bissau “nunca será vendida”.

Dirigindo-se às Forças Armadas guineenses, o candidato apelou para que tenham a paciência de esperar pela sua eleição como Presidente da Guiné-Bissau, para que retomem o seu “lugar de dignidade” que disse estar a ser posta em causa ultimamente.

Umaro Embaló criticou o anúncio feito pelos líderes da CEDEAO sobre o envio de mais forças militares da organização para ajudar a assegurar o processo eleitoral guineense.

“Todos os candidatos deviam ter sido consultados sobre a vinda da tropa estrangeira aqui”, observou Embalo, para avisar que assim que vencer as eleições aquela força deverá abandonar a Guiné-Bissau.

O candidato, frisando o respeito que a Guiné-Bissau devia merecer dos restantes países da CEDEAO, afirmou: “Vieram a pedido de alguém, mas quando este perder as eleições, e nós ganharmos, então essa tropa sabe que deve abandonar o país”.

“A Guiné-Bissau é membro da CEDEAO merece o mesmo respeito da Nigéria, do Senegal, da Guiné-Conacri, onde o Presidente mata as pessoas”, defendeu Umaro Embaló.

O candidato de 47 anos acusou o Presidente guineense cessante, José Mário Vaz, por ter permitido que tudo aquilo tenha sido possível.

“Até o embaixador dos Estados Unidos de América vem cá presidir ao Conselho de Ministros. A Constituição da Guiné-Bissau foi rompida”, notou Umaro Sissoco Embaló.

A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais em 24 de novembro, num momento de especial tensão política, depois de o Presidente ter demitido o Governo de Aristides Gomes, saído das legislativas de 10 de março, e nomeado um outro liderado por Faustino Imbali.

Grande parte da comunidade internacional opôs-se a estas decisões e a CEDEAO exigiu a demissão de Imbali, sob pena de impor “pesadas sanções” aos responsáveis pela instabilidade política.

Faustino Imbali acabou por se demitir na sexta-feira, pouco antes de serem conhecidas as decisões dos chefes de Estado da CEDEAO, que decidiram reforçar a presença da força de interposição Ecomib no país e advertir o Presidente José Mário Vaz de que qualquer tentativa de usar as Forças Armadas para impor um ato ilegal será “considerada um golpe de Estado”.

No sábado, chegam a Bissau seis chefes de Estado da CEDEAO para dar a conhecer as decisões da cimeira ao Presidente José Mário Vaz e avaliar a situação no país.

As forças da Ecomib estão na Guiné-Bissau desde 2012, na sequência de um golpe de Estado militar e têm a missão de garantir a segurança e proteção aos titulares de órgãos de soberania guineenses.

A Ecomib foi autorizada em 26 de abril de 2012 pela CEDEAO.

O objetivo da força de interposição é promover a paz e a estabilidade na Guiné-Bissau, com base no direito internacional, na carta das Nações Unidas, do tratado da CEDEAO e no protocolo sobre prevenção de conflitos daquela organização.

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