Abdu Mané, antigo procurador-geral da República e atual dirigente do Madem quis chamar a atenção do Presidente guineense, José Mário Vaz, perante o que diz serem “manobras do primeiro-ministro”, visando mostrar que o processo eleitoral está no bom ritmo.

Mané, candidato a deputado nas eleições de 10 de março, acusa o primeiro-ministro, Aristides Gomes, de “tentar enganar as pessoas” ao ter afixado, no passado dia 24, os cadernos eleitorais, afirmando que não cumpre o que a lei recomenda.

Os cadernos – com os nomes dos potenciais eleitores – foram afixados em todo o país e até ao próximo dia 07 de fevereiro, os eventuais interessados poderão apresentar reclamações sobre possíveis falhas nos dados, com vista à sua correção.

O problema é que não se encontra nos locais onde os cadernos foram afixados ninguém para atender às reclamações.

Fontes do Gabinete Técnico de Apoio ao processo eleitoral (GTAPE, estrutura do Governo) indicaram à Lusa que os agentes do recenseamento, que deviam atender às reclamações, recusam-se a continuar com o trabalho por estarem a exigir do Governo o pagamento de parte dos subsídios que lhes foram prometidos para executar o registo dos eleitores.

Os dirigentes do Madem-G15 acusam o primeiro-ministro, Aristides Gomes, de estar a tentar enganar as pessoas.

“É esperteza do primeiro-ministro, para dizer à comunidade internacional que ele deu 15 dias para eventuais interessados para que reclamem, só que não colocou ninguém no local para atender às reclamações”, notou Abdu Mané.

Marciano Barbeiro, diretor da campanha do Madem-G15, antigo ministro e ex-chefe da Casa Civil do Presidente guineense, disse, por seu lado, que o partido não quer que se pense que com as denúncias que faz tem medo ou não quer ir às eleições a 10 de março.

“Estamos a chamar atenção, a quem de direito, para que um conjunto de irregularidades seja resolvido antes das eleições”, defendeu Barbeiro, também candidato a deputado.

O Madem foi fundado em 2018, e a sua base é constituída pela maioria dos 15 antigos deputados do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), expulsos na sequência de desentendimentos com a direcção daquele partido.

As denúncias do Madem-G15 ocorrem no mesmo dia em que José Mário Vaz se encontra reunido com os 24 partidos que vão às eleições, com o Governo, Comissão Nacional de Eleições e outras entidades.

O encontro, que decorre no palácio da presidência em Bissau, tem como finalidade a análise exaustiva do processo eleitoral, nomeadamente o recenseamento, alvo de várias críticas por parte de partidos concorrentes às legislativas.

As eleições estiveram inicialmente marcadas para 18 de novembro, mas dificuldades técnicas e financeiras provocaram atrasos no início do recenseamento eleitoral e consequentemente o adiamento do escrutínio.

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