O anúncio foi feito hoje em Luanda pelo presidente do conselho de administração do BPC, André Lopes.

O Plano de Recapitalização e Reestruturação, que será implementado no decurso dos próximos três anos, prevê que serão necessários 880,1 mil milhões de kwanzas (1,3 mil milhões de euros) para capitalizar o banco em 2020.

Deste montante, 163,7 mil milhões de kwanzas (252,8 milhões de euros) serão provenientes do Ministério das Finanças (Minfin), principal acionista do BPC, sob a forma de títulos, enquanto o IGAPE vai injetar 396 mil milhões em títulos e 15 mil milhões em numerário.

“A entrada do IGAPE na estrutura acionista do banco não vai refletir-se no esforço de endividamento do Estado porque estes títulos são os mesmos que, há dois anos, o Estado emitiu para recapitalizar a Recredit [sociedade de recuperação de ativos] para comprar crédito ao BPC”, indicou o responsável.

“Decidiu-se descapitalizar a Recredit e passar esses títulos para o IGAPE, logo não há um aumento do endividamento público que foi feito mais atrás”, explicou André Lopes.

Para este total, conta ainda a reestruturação de títulos com maturidade a 24 anos no valor de 263,3 mil milhões de kuanzas (406,6 milhões de euros) para Obrigações do Tesouro a cinco anos, “que também não vai aumentar o endividamento, e sim acelerar o serviço da dívida”, revelou.

Por fim, está também contemplado o saneamento de crédito malparado no valor de 57,1 mil milhões de kuanzas cedido à Recredit.

Com a recomposição acionista, o BPC detido atualmente pelo Minfin (75%), Instituto Nacional de Segurança Social (15%) e Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (10%), passará a ver a participação do Minfin reduzida para 53,3%, o IGAPE ficará com 37,3%, o INSS com 5,6% e a Caixa das Forças Armadas Angolanas para 3,7%.

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