O índice que mede a atividade empresarial em Moçambique (PMI) caiu em março para 49,9 pontos, o valor mais baixo dos últimos onze meses, caindo pela primeira vez nos últimos cinco meses.

O indicador PMI caiu para 49,9 em março, ficando ligeiramente abaixo de 50,0, o valor que indica ausência de alterações, e assinalando um declínio ligeiro nas condições comerciais para as empresas moçambicanas”, lê-se no relatório deste mês, que dá conta que “este foi o registo mais baixo observado desde abril de 2019”, e surge depois de em fevereiro o indicador ter registado 51,6 pontos.

Os dados mais recentes, aponta-se no documento, “mostraram uma contração na atividade empresarial em março”, que se explica pela “subida mais fraca de novos trabalhos, o que levou a aumentos mais suaves tanto no emprego como nas aquisições”.

No entanto, o índice, ainda feito antes das medidas de isolamento decretadas no dia 01 de abril em Moçambique, revela que “as expectativas para a produção futura mantiveram-se fortes devido ao abrandamento da inflação sobre os custos de produção”.

O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ Index (PMI), no qual valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições para as empresas no mês anterior, enquanto os registos abaixo de 50,0 mostram uma deterioração.

De acordo com o Standard Bank, “a taxa de expansão diminuiu devido ao facto de diversas empresas terem assistido a uma falta de novos clientes que, por vezes, esteve associada ao surto covid-19”.

Comentando os dados, o economista-chefe do Standard Bank em Maputo disse que “um dos efeitos esperados da pandemia da covid-19 é a continuação da desvalorização do metical”, que estava, no momento de escrita do relatório, a 66,7 por dólar, um aumento de 8,5% desde o final de 2019 e uma subida homólogo de 4,3%”.

“Aumentámos a nossa previsão para o final do ano de 60,7 meticais por dólar para 65,4 e consideramos que mesmo que se verifique um aumento acima dos 70, este será temporário”, escreveu Fáusio Mussá.

Para o economista, “é difícil imaginar um crescimento do PIB muito superior ao valor homólogo de 2,2% registado em 2019, dado os atuais desafios com a covid-19, os quais estão a ser intensificados pelos desafios com a segurança doméstica”, acrescentou, referindo-se aos ataques no norte do país por grupos armados.

Segundo o responsável, “é provável que a pandemia exerça pressão sobre a balança de pagamentos devido aos baixos preços das matérias-primas, possíveis atrasos na implementação dos projetos de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma e às perturbações na atividade económica”, a que acresce a suspensão das negociações com o Fundo Monetário Internacional para a assistência financeira.

“As negociações para um programa do FMI também poderão ser negativamente afetadas, já que uma missão recente do FMI foi suspensa devido às restrições às viagens em todo o mundo”, concluiu.

Publicidade