Nelvina Barreto anunciou estes dados na abertura de um seminário de validação dos resultados do inquérito ao Sistema de Seguimento da Segurança Alimentar e Nutricional (SiSSAN) na Guiné-Bissau, lançado pelo Governo em colaboração com vários parceiros.

Do inquérito, concluiu-se que 30,7% dos agregados familiares na Guiné-Bissau apresentavam insegurança alimentar, entre setembro de 2016 a setembro de 2019, ou seja, cerca de 368.458 pessoas.

Se Biombo, Cacheu, Gabu e Oio são as zonas mais afetadas, com taxas variando em torno de 36 a 39%, as regiões de Bafatá, Quinara e Bolama-Bijagós são as que apresentam os índices mais baixos de subnutrição, na ordem de 20%, indicou ainda o estudo.

Segundo a ministra da Agricultura guineense, os agregados familiares chefiados por mulheres são mais afetados pela insegurança alimentar em comparação com as que têm o homem como o responsável, “embora a diferença não seja estatisticamente significativa”, referiu.

Nelvina Barreto adiantou que a insegurança alimentar tem as crianças como as principais vítimas, baseando-se no MICS 2014 (inquérito aos indicadores múltiplos) levado a cabo pela Unicef – organização das Nações Unidas para a infância – e o Governo guineense, para sublinhar o facto de que 27,6% das crianças sofrem de atraso de crescimento em toda a Guiné-Bissau.

Esse atraso no crescimento é superior a 30% nas crianças das regiões de Oio, Bafatá e Gabu, notou a ministra.

Apesar do potencial conhecido em termos de terras aráveis e de água, a Guiné-Bissau continua a enfrentar uma baixa na produção agrícola nos últimos dez anos, assinalou Nelvina Barreto, dando como o exemplo a diminuição em 30% da produção do arroz, base da dieta alimentar do país.

A degradação dos solos, enclavamento das zonas de produção, as mudanças climáticas, a diminuição da mão de obra no campo, a emigração, o êxodo rural, as migrações internacionais, a falta de investimento e o apoio público na agricultura, são, entre outros, os fatores determinantes para o agravamento da insegurança alimentar no país, notou Barreto.

Sem descurar a instabilidade política, a ministra apontou como caminho o aumento do investimento na agricultura, que representa 47% do PIB e dá emprego a 69% da população ativa na Guiné-Bissau.

Publicidade