De acordo com Manuel Lima, apesar de anunciado anteriormente pelo Governo, na sequência da privatização (51%) em março da companhia agora denominada Cabo Verde Airlines (CVA), a venda de 39% do capital social a investidores institucionais privados, através da bolsa, “ainda não avançou”.

“Neste momento há um conjunto de investidores institucionais que já manifestaram o interesse em comprar, no fundo falta só anunciar o dia [início da venda], para todos confirmarem as ordens [de compra]. Já temos o levantamento de quem são esses investidores institucionais que querem e também indicação dos valores em que estão interessados”, disse o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde.

O processo de venda da última quota (39%) da companhia aérea nas mãos do Estado cabo-verdiano vai envolver, explicou Manuel Lima, os canais da Bolsa de Valores de Cabo Verde e deverá ser totalmente subscrito.

“Acredito que sim, atendendo às manifestações de interesse, que já cobrem os 39%”, afirmou o responsável.

O processo faz parte da reestruturação da antiga TACV, em que a primeira iniciativa foi a venda de 51% das ações da empresa aos islandeses da Icelandair.

O Estado de Cabo Verde passou a deter 49% das ações, e optou por vender 10% aos trabalhadores e aos emigrantes cabo-verdianos, num total de 100 mil ações, e os restantes 39% a investidores institucionais (390 mil ações).

A quota de 10% (100.000 ações) para trabalhadores e emigrantes foi vendida com um preço base de 1.457 escudos (13 euros) por cada ação.

Os 39% que serão agora vendidos totalizam 390.000 ações, pelo que, se for mantido o preço de referência, poderá representar um encaixe financeiro para o Estado de Cabo Verde mais de 568 mil escudos (5,1 milhões de euros).

A Cabo Verde Airlines aumentou para quase 200.000 passageiros transportados nos primeiros oito meses após o processo de privatização que levou à venda da maioria do capital social da antiga TACV a investidores islandeses.

Os números foram avançados em dezembro à agência Lusa por fonte oficial da companhia aérea cabo-verdiana e traduzem-se num crescimento de 85,4% do total de passageiros transportados, face ao mesmo período de 2018.

Entre março e outubro de 2018, a então Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) transportou 107.027 passageiros, enquanto que em igual período deste ano, a agora Cabo Verde Airlines registou 198.457 passageiros.

Para o Governo cabo-verdiano, a alternativa à privatização seria a sua liquidação, a qual custaria mais de 181 milhões de euros.

A frota atual da companhia é composta por seis Boeing, garantindo ligações do arquipélago para Dacar, Lisboa, Paris, Milão, Roma, Boston, Washington, Lagos, Fortaleza, Recife, Salvador e Porto Alegre.

A Lusa noticiou anteriormente que a Cabo Verde Airlines prevê faturar quase 82 milhões de euros este ano, valor que espera quintuplicar até 2023, para 422 milhões de euros, conforme informação institucional preparada no âmbito da venda de 7,65% do capital social aos emigrantes, que está em curso.

De acordo com os mesmos dados, a administração da CVA prevê faturar mais de 9.015 milhões de escudos (81,9 milhões de euros) em 2019, valor que deverá subir para 23.473 milhões de escudos (213,2 milhões de euros) em 2020 e para mais de 46.450 milhões de escudos (422 milhões de euros) em 2023.

A previsão da companhia para o EBIDTA (resultado líquido de impostos e que serve para aferir a competitividade e eficiência de uma empresa) ainda é negativo para 2019, em 3.485 milhões de escudos (31,6 milhões de euros). Contudo, a partir de 2020, a previsão é que chegue a valores positivos, começando em 914 milhões de escudos (8,3 milhões de euros) e até 3.491 milhões de escudos (31,7 milhões de euros) em 2023.

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