A instalação de um cabo submarino transatlântico, num investimento de 170 milhões de euros, vai ligar a Sines (Europa) a Fortaleza (Brasil), e a realização da primeira transmissão de dados está prevista para o final de 2020.

Esta infraestrutura, denominada Ellalink, será implementada no âmbito do projecto BELLA (Building European Link to Latin America), que agrega as redes de ciência europeia e sul-americana, e é financiado pela Comissão Europeia e por fundos privados. O cabo submarino passará ainda por Cabo Verde e pela ilha da Madeira, instalando uma capacidade de transmissão de dados de 73 terabits por segundo.

O presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, afirma que “Estamos em contacto com o consórcio responsável pela instalação do cabo, o consórcio EllaLink, que construirá em Sines a infraestrutura de recepção do cabo e a estação de tratamento de dados, a localizar na Zona Industrial e Logística de Sines, da aicep Global Parques“.

A instalação do cabo EllaLink permitirá o desenvolvimento de um novo hub digital e de inovação em Sines. Estamos a trabalhar com o consórcio responsável pela instalação do cabo e também com a aicep, no sentido de captar investimento tecnológico e digital para o concelho, o que contribuirá para a diversificação da nossa economia local e para a criação de um novo cluster em Sines. A representação do Alentejo em Bruxelas encontra-se, igualmente, em condições de prosseguir este trabalho de acompanhamento. Este é um projecto que não é de Sines, é europeu, sul-americano e global“, diz Nuno Mascarenhas.

A digitalização da economia é hoje um dado adquirido. O Brasil não tem nenhuma ligação directa à Europa, e, do ponto de vista económico, o facto de Sines ser a porta de entrada deste cabo submarino é a reafirmação da importância estratégica deste concelho“, assinala o presidente da Câmara Municipal de Sines.

Por outro lado, refere Nuno Mascarenhas, esta ligação “vem adicionar oportunidades do ponto de vista cultural, da investigação e do desenvolvimento tecnológico e científico“.

O presidente da Câmara Municipal de Sines deslocou-se a Bruxelas, onde foi recebido pelo eurodeputado Pedro Marques, para um encontro que integrou uma agenda de reuniões com o objectivo de apresentar as oportunidades de desenvolvimento do concelho de Sines relacionadas com a instalação do cabo submarino que ligará, já em 2020, o Brasil à Europa, a partir de Sines.

No Parlamento Europeu, o presidente da Câmara de Sines reuniu-se ainda com Anna Tranberg, diretora de relações institucionais da ERRIN (Rede Europeia de Regiões para Pesquisa e Inovação) e com Clementina Piani, coordenadora da rede RICC (Regional Initiative for Culture and Creativity). Da agenda fizeram ainda parte reuniões com os espanhóis, Francisco Viagalondo, coordenador do Working Group Turismo Sustentável / diretor em Bruxelas do Aragón Exterior, e César Morcillo, representante do governo da região da Extremadura em Bruxelas.

A instalação do cabo submarino transatlântico, que vem abrir um enorme conjunto de potencialidades para o desenvolvimento da economia digital em Sines, dominou todos os encontros.

O nosso objectivo foi sensibilizar as instituições europeias e as redes de cidades e regiões que trabalham estas matérias e que terão influência na definição das políticas do próximo período de financiamentos.

As reuniões tiveram ainda a participação de Marcos António Nogueira e Valentina Russo, do Escritório do Alentejo em Bruxelas, uma representação permanente, iniciativa de diversas entidades do Alentejo, incluindo os municípios, coordenada pela ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo. O presidente da Câmara Municipal de Sines foi também acompanhado por um membro da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia e pela directora da aicep em Bruxelas, Maria Manuel Branco.

Na audiência com o eurodeputado Pedro Marques, o presidente do Município de Sines teve ainda a oportunidade de abordar outras temáticas de relevância europeia. Desde logo, as ligações ferroviária e rodoviária a Sines, fundamentais para a competitividade do porto e para o desenvolvimento industrial, mas também aspectos relacionados com a preparação do próximo período de programação de fundos estruturais 2030.

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