A exposição, que marca a estreia das artistas no Camões-Centro Cultural Português, remete para o tema da sobrevivência e adaptação. O conhecimento e vivência das artistas em diferentes países é o mote para uma reflexão em torno da necessidade de aceitação da diferença e integração da diversidade.

Para Beatriz Geraldo, a sua arte é o seu diário. “Registando os meus pensamentos, as minhas emoções e, em alguns casos, a minha voz. Comecei a minha jornada para fora do conforto no desconhecido. Na procura da minha verdadeira vocação. Documentando cada passo em séries. Na minha última série, “Blink, Mrs Jones”, documentei como nesta nova luz poderia ser qualquer coisa ou alguém que eu imaginar ou resolva ser”.

Por seu lado, Lauretta afirmou que procura “dessensibilizar o público para os problemas globais. Não de uma forma que os torne negligentes em relação ao que acontece ao seu redor, mas na verdade, tornando-os confortáveis, não apenas em relação às suas próprias realidades, mas também daqueles que os rodeiam”.

Beatriz nasceu em 1984, no seio de uma família de artistas. Aos 6 anos começou a desenhar. Aos 16, juntamente com a irmã, criam uma marca de moda “Geraldo Fashions”, tendo recebido, na Namíbia, o prémio de “Jovens Empreendedoras” e, no ano seguinte, o prémio “Melhores Jovens Estilistas”. Estes dois prémios foram o impulso para que Beatriz Geraldo se dedicasse exclusivamente no design de moda.

Em 2003, muda-se para a cidade do Cabo, na África do Sul, para estudar Design de Interiores. Em 2005 regressa ao país. Durante três anos consecutivos foi nomeada para “Designer do Ano”. Foi entrevistada na primeira edição da Revista da “Forbes África” como uma das próximas marcas de África a procurar.

Em 2014 fez uma pausa no mundo da moda e começou um novo caminho nas artes plásticas. De Maio a Junho de 2018 expôs no HCTA, em Luanda, a coleção intitulada “Blink, Mr. Jones!”, uma série de arte contemporânea em papel com técnicas de “mixed” media. Quatro anos depois, fez o curso de Designer Gráfico em Lisboa. Actualmente, é artista plástica e designer, e trabalha como “freelancer” em Luanda

A irmã, Lauretta, artista multidisciplinar, formada em “Game Art” pela Universidade Full Sail, em 2016. Os seus trabalhos mais recentes apresentam, principalmente, “ready mades” que usa para criar metáforas de tópicos de discussão. A sua paixão pela animação (“stop motions”) é algo que se pode esperar ver nos seus trabalhos.

O facto de ter vivido em diversos países e de ter necessidade de se adaptar, constantemente, as diversas culturas, facilitou a capacidade de se relacionar com um público de várias origens, através da cor e da forma. Encara a carreira como uma forma de diminuir o peso dos desafios ou adaptabilidades da vida e esforça-se para fazer arte, o que “é instigante mas ainda alegre”, disse a artista.

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