A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) realizou uma visita aos EUA, entre 06 e 09 de março, por New Bedford e Bridgeport, onde partilhou visões sobre a situação no país com a diáspora cabo-verdiana e onde promoveu a ideia de “um Cabo Verde para todos”, afirmou em entrevista telefónica à Lusa.

“Quando pretendemos uma visão de Cabo Verde para todos é porque infelizmente, na nossa perspetiva, Cabo Verde está a ser governado apenas para alguns”, declarou Janira Hopffer Almada, referindo problemas ao nível dos transportes aéreos, da segurança e criminalidade e da saúde.

“Dizem-nos que a economia está a crescer a cinco por cento, no entanto as pessoas não sentem esse crescimento, porque o crescimento não é inclusivo”, acrescentou, referindo que “nem os salários são aumentados, nem a economia gera empregos dignos para os jovens”.

Na visita aos EUA, Janira Hopffer Almada defendeu que “é possível garantir uma nação global, com realizações dos habitantes de Cabo Verde e da diáspora espalhada pelo mundo”.

A deputada do principal partido da oposição declarou que os encontros com a comunidade cabo-verdiana em New Bedford e Bridgeport foram “muito participados” e serviram para consolidar a ideia de que a diáspora “precisa de dar um salto para incrementar a participação” e envolvimento no país de origem, com melhor estruturação e mais promoção.

Janira Hopffer Almada partilhou três pilares para a diáspora ter uma “melhor estratégia ao serviço do país”: os investimentos, a dimensão cultural – “criando condições para que cada emigrante seja embaixador da cultura cabo-verdiana no país de acolhimento” –, e o conhecimento, para aproveitar o potencial dos emigrantes.

“Neste momento, as remessas dos emigrantes ultrapassam o investimento estrangeiro em Cabo Verde”, referiu a deputada.

As remessas enviadas pelos emigrantes cabo-verdianos para o país natal atingiram, de janeiro a novembro de 2019, os 17.434 milhões de escudos (157,5 milhões de euros), aproximando-se de um novo registo máximo, segundo um boletim estatístico do Banco de Cabo Verde.

“Temos muitas famílias cuja condição de vida é garantida também com uma grande colaboração dos emigrantes”, lembrou Janira Hopffer Almada, notando que as preocupações são partilhadas pelos emigrantes, que “gostariam que o país estivesse melhor”.

A propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo, quando a cabo-verdiana participou numa celebração em Boston, Janira Hopffer Almada incentivou também que as mulheres da diáspora, como as residentes em África, assumam uma “função de promoção da mudança de mentalidades” para a igualdade de género.

Segundo a presidente do PAICV, a mentalidade tem de ser transmitida às crianças desde novas, “virada para uma perspetiva de igualdade”.

“Eu sou mulher na política e não pretendo uma competição com os homens que não seja salutar, pretendo uma complementaridade. Todos nós somos importantes, homens e mulheres de mãos dadas para enfrentar os desafios gigantescos que Cabo Verde tem”, sustentou.

A deputada cabo-verdiana notou que as novas gerações, mesmo as que não nasceram em Cabo Verde, levam um “amor” ao país e querem dar o seu contributo, porque “a ligação transmite-se de pai e mãe para filho e filha e acaba por se consolidar”.

“Cada jovem que acredita no país, que quer contribuir e que se disponibiliza para ajudar a edificar a terra com que todos sonhamos, é sempre uma força, inspiração e grande motivação”, concluiu.

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