Na edição anterior (TICAD VI), realizada em 2016, no Quénia, o Japão anunciou um investimento de cerca de 30 mil milhões de dólares (27,05 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual) a injetar em projetos público-privados a três anos (2016-2018), de forma a assegurar o futuro sustentável de África.

No quadro do TICAD, o Japão apoia atualmente a construção de infraestruturas e projetos agrícolas em Angola, Senegal, Quénia, África do Sul, Moçambique, Cabo Verde, Ruanda e Madagáscar, refere um comunicado da embaixada angolana em Berlim.

Desde então, o Japão investiu 23,3 biliões de ienes (198,44 milhões de euros) em formação de recursos humanos, incluindo formação profissional para mais de 16 mil pessoas.

Além disso, 152,6 biliões de ienes (1,3 mil milhões) foram encaminhados desde 2013 para apoio humanitário com vista ao desenvolvimento da região do Sahel.

Os investimentos japoneses em Angola permitiram, por exemplo, o projeto de reabilitação e expansão do porto comercial do Namibe e do terminal mineiro de Saco-Mar – que permite reforçar a exportação de ferro na província da Huíla -, a instalação de cabo submarino ótico no Atlântico Sul, o reforço de três indústrias têxteis angolanas e a reabilitação do hospital Josina Machel, em Luanda.

De resto, o Japão tem procurado desenvolver o Namibe e a região Sul, através do contrato de empreitada para o projeto integrado da baía do Namibe, que o Presidente angolano, João Lourenço, atribuiu ao consórcio Toyota Tsusho Corporation e TOA Corporation.

Noutras áreas do continente, o Japão tem apoiado a produção de arroz no Senegal e a exploração de metais como paládio, platina e níquel na África do Sul, assim como tem estimulado a produção de energia elétrica no Quénia.

Em Moçambique, inserido no quadro da parceria estratégica com África, o Japão teve um papel importante no projeto de infraestruturas ferroviárias e portuárias no corredor de Nacala,

O Japão assinou um Acordo de Investimento Bilateral (BIT, na sigla inglesa) com o Quénia em agosto de 2016, com o país asiático a procurar acordos semelhantes com Argélia, Angola, Costa do Marfim, Gana, Marrocos, Tanzânia e Zâmbia.

No âmbito da TICAD7, que se realiza em Yokohama, Angola está a preparar projetos em vários setores – energias renováveis, saúde, ensino superior e formação, agricultura, agroindústria, finanças, turismo e tecnologias de informação e comunicação – para apresentar ao Japão em busca de financiamento.

“O ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, considera crucial a implementação dos projetos apresentados por alguns países africanos e já aprovados pelo Japão, particularmente aqueles cuja concretização possa ter impacto e contribua para a integração económica regional”, refere o comunicado enviado à Lusa.

As relações políticas e diplomáticas entre Angola e o Japão foram estabelecidas em setembro de 1976, sendo que as trocas de visitas de alto nível entre representantes dos dois países tiveram início no final dos anos de 1980.

Publicidade