O Presidente angolano concluiu hoje uma visita de dois dias ao Bié, onde passou pelos municípios de Cuemba e Cuíto, encontrando-se com a sociedade civil e representantes dos jovens para ouvir as suas principais preocupações, sendo a habitação um dos problemas que surgiu mais destacado.

Interpelado por Virgílio Elias, um dos primeiros jovens a colocar questões ao Presidente no âmbito do Diálogo com a Juventude, sugerindo a autoconstrução dirigida em loteamentos infraestruturados para colmatar a insuficiência habitacional, João Lourenço mostrou concordância com a sugestão.

“É uma boa ideia, é disso que estamos à espera, que a iniciativa venha de vocês”, afirmou, salientando que “não é viável ser só o Estado a construir centralidades [bairros sociais construídos pelo Estado]” e que não será esta a solução para os problemas habitacionais em Angola.

“É preciso que o Estado construa, que o setor privado construa e é preciso apostar fortemente na autoconstrução”, em terrenos infraestruturados cedidos pelo Estado, uma ideia que pretende levar a cabo em futuras centralidades.

Dirigindo-se aos vários representantes de organizações juvenis e a uma plateia que encheu salão do Instituto Superior Politécnico do Cuíto, João Lourenço disse que está a trabalhar na resolução dos problemas, avisando que “é preciso o empenho de todos”, em vez de contarem apenas com o apoio do Estado.

“O executivo tem de fazer, os privados têm de fazer, a sociedade civil tem de alertar sobre o que não está feito ou está mal feito”, exortou.

Entre os jovens, o desemprego foi outro dos temas centrais, com um dos representantes juvenis a afirmar que “a única escapatória, por vezes, são os concursos públicos” para o Estado. Ao que João Lourenço respondeu que o Estado “não pode ser o único empregador”, reafirmando que está a trabalhar para “potenciar o desenvolvimento do setor privado” e convidando os privados “a ocupar o espaço que perderam”.

Esta foi a segunda edição dos Diálogos do Presidente com a Juventude (a primeira aconteceu na província do Zaire) tendo sido escolhidos porta-vozes de várias associações juvenis para colocarem as suas questões e apresentarem sugestões.

Antes, João Lourenço tinha também auscultado elementos da sociedade civil local que focaram problemas semelhantes: o custo de vida, a falta de habitação, mas também os cuidados de saúde e assistência e a integração social, numa intervenção do porta-voz dos antigos combatentes.

Ainda durante a manhã, o presidente inaugurou um sistema de reforço de abastecimento de água da cidade do Cuíto, construído pela chinesa CR20, que vai servir mais de 105 mil habitantes, num investimento de cerca de 39 milhões de dólares (35 milhões de euros).

Joao Lourenço iniciou a jornada com homenagem aos “Mártires do Cuíto”, depositando uma coroa de flores no cemitério-memorial.

Este espaço, que vai também ser alvo de obras de remodelação, situa-se na comuna do Cunje, sete quilómetros a norte do Cuito, onde estão sepultados perto de sete mil mortos, tombados durante o cerco que a cidade viveu entre 06 de janeiro e 28 de junho de 1994, na sequência da guerra que eclodiu após as eleições de 1992.

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