O candidato a presidência do Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV) José Sanches considerou hoje, no Mindelo, que se está a preparar um “grande golpe de assalto” ao partido, liderado por Janira Hopffer Almada

Segundo José Sanches assegurou à Inforpress, ele e a sua equipa estão a postos para entregar neste sábado, último dia, ainda na parte de manhã, a candidatura, mas, que foi feita com base de dados de 2014, uma vez que lhes foi “negado” o acesso à base de dados atual.

“Nós não sabemos se a nossa subscrição está atualizada ou não, o que é uma grande incógnita, mas a estratégia política já está preparada”, disse o candidato, para quem se está a “preparar um grande golpe de assalto ao partido liderado pela Janira, que não tem capacidade de ganhar nenhuma eleição geral em Cabo Verde”.

“Está a fazer tudo para se perpetuar à frente do PAICV, assaltando os estatutos, as estruturas do partido, está desrespeitando todos os militantes e fazendo do partido um clube de amigos e de pessoas próximas”, denunciou.

Para José Sanches, se Janira Hopffer Almada tivesse tido um projeto para o país e para o partido, estaria a “respeitar os estatutos, a não antecipar as eleições e a não bloquear o partido para que ninguém tivesse acesso, para aqueles que têm visão e ideias diferentes fossem colocados de lado”.

“Foi num ato de desespero, que ao perceber que a nossa candidatura estava a ganhar terreno, estava a ganhar credibilidade e estava a chegar junto dos militantes, resolveu, num golpe de mágica, antecipar as eleições e resolve, sem nenhuma explicação, reduzir o número de militantes”, acusou a mesma fonte.

O militante do PAICV adiantou ainda ser a redução também “grande” no número de delegados, antes com mais de 660, e agora somente 364, sendo que 193 delegados são natos, restando a ele e a Janira disputar somente 171 delegados.

“Aquilo que se está preparar não é uma eleição, é um plebiscito, um passeio para a legitimação da liderança e sem respeito para que haja disputa de ideias”, asseverou.

Mas, a sua candidatura, ajuntou, para “continuar a falar a verdade, sem medo, com convicção, luta “pela transparência, pela verdade e pela democracia interna e pela equidade”, mostrando a todos militantes e cabo-verdianos, a necessidade de um “partido transparente, forte, coeso e que faz da unidade a sua principal arma de combate político, perante os seus adversários”.

Mas, destacou, perante “um partido que quer contar com todos os militantes e a não fazer do partido um lugar onde os militantes não têm liberdade de pensar, de expressar, de comunicar e liberdade de disputar cargos eletivos internamente”, José Sanches disse não saber o que vai acontecer nas eleições.

“Mas, acreditamos que os militantes do PAICV são inteligentes, assim como os cabo-verdianos e sabem o que está em causa”, considerou, adiantando que desde Agosto tem vindo a avisar da situação e já recorreu a todos os órgãos do PAICV, que responderam com um “silêncio místico”.

“Mas, nós vamos continuar a lutar até o último dia para que o PAICV, o grande partido que esteve na luta da independência, na viabilização da democracia de Cabo Verde, na transformação democrática volte a ser um partido grande e coeso”, concretizou.

O prazo para entrega das candidaturas decorre até este sábado, mas, no caso de Janira Hopffer Almada,  a sua candidatura foi entregue na manhã de hoje pelo mandatário, João Baptista Pereira, que apelou à coesão do partido.

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