O Grande Prémio do Júri foi atribuído ao filme “J´Accuse”, de Roman Polansky, e o Leão de Prata de Melhor Realizador foi para o sueco Roy Anderson, por “About Endlessness”.

Yonfan, cineasta de Hong Kong, recebeu o prémio de Melhor Argumento por “No.7 Cherry Lane”, um filme de animação de Zhang Gang.

Roman Polansky não esteve presente na cerimónia, em Veneza, pelo que o Grande Prémio do Júri, atribuído ao filme “J`Accuse”, foi recebido pela atriz francesa Emmanuelle Seigner, casada com o realizador.

O Prémio de Melhor Interpretação Masculina (Taça Volpi) foi para Luca Marinelli, pelo desempenho em “Martin Eden”, de Pietro Marcello, e o Prémio de Melhor Interpretação Feminina (Taça Volpi) foi para Ariane Ascaride, em “Gloria Mundi”, de Robert Guédiguian.

Foi ainda atribuído o Prémio Especial do Júri ao filme “Mafian non e piú quella de una volta”, de Franco Maresco, e o Prémio Marcello Mastroianni para Melhor Ator Emergente foi para Toby Wallace, pelo desempenho em “Babyteeth”, de Shannon Murphy.

Tanto o ator italiano Luca Marinelli como a atriz francesa Ariane Ascaride, filha de emigrantes italianos, dedicaram, no seu discurso de agradecimento, os seus prémios aos refugiados e aos imigrantes “que morrem no mar Mediterrâneo”.

“Babenco”, o documentário da realizadora brasileira Bárbara Paz, sobre os últimos dias do realizador Hector Babenco, que dirigiu “Pixote, A Lei do Mais Fraco” e “O Beijo da Mulher Aranha”, conquistou o Prémio para Melhor Documentário Sobre Cinema.

No palco, a realizadora Bárbara Paz, visivelmente emocionada, agradeceu ao cinema e à cultura brasileira e gritou, em português e em inglês: “Viva a liberdade de expressão!”.

A reação da cineasta acontece dias depois de a presidência de Jair Bolsonaro ter afastado a direção da Agência Nacional de Cinema do Brasil (Ancine), que regula e fiscaliza o mercado do cinema e do audiovisual, e de os seus antigos responsáveis terem sido acusados de associação criminosa, entre outros delitos, pelas atuais autoridades.

A Cinemateca de São Paulo tem vindo também a ser “ocupada por militares e políticos, contra `marxismo cultural`”, como noticiou esta semana o jornal Folha de S. Paulo.

Bolsonaro admitiu em julho a possibilidade de extinguir a Ancine caso não a possa usar para impor “filtros” nas produções audiovisuais do país.

Em Veneza, hoje, o realizador norte-americano Todd Phillips dedicou o Leão de Ouro a toda a equipa do filme, e agradeceu em especial ao ator norte-americano Joaquin Phoenix, que interpreta a figura de Joker, um palhaço que é maltratado nas ruas da cidade de Gotham City, e que se torna um vilão.

O filme – também interpretado por Zazie Beetz, Robert De Niro e Shea Whigham – é produzido pela Warner Bros e a DC Films, e, embora seja inspirado na banda desenhada do maior inimigo do super-herói Batman, explora as motivações psicológicas de Joker.

“Joaquin Phoenix é o ator mais corajoso e destemido que eu já conheci”, elogiou Todd Phillips, ladeado, em palco, pelo ator, que já foi nomeado três vezes para um Oscar.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar e a atriz britânica Julie Andrews receberam o Leão de Ouro pela carreira, e o realizador franco-grego Costa-Gavras o Prémio Jaeger-LeCoultre 2019.

“Extase” (1933), de Gustav Machatý, ganhou o prémio de melhor restauro, enquanto o prémio Fipresci, da associação internacional de críticos de cinema, distinguiu igualmente “J`Accuse”, de Roman Polanski.

O prémio Leão do Futuro, para uma primeira obra – cujo júri foi presidido por Emir Kusturica -, foi atribuído a “You will die at 20”, do realizador sudanês Amjad Abu Alala.

Na competição oficial do festival – o mais antigo da Europa – competia o filme português “A Herdade”, de Tiago Guedes, protagonizado por Albano Jerónimo, e na secção competitiva Orizzonti foi exibida a nova curta-metragem de Leonor Teles, “Cães que ladram aos pássaros”.

A competição também integrou um outro filme português: “Francisca” (1981), de Manoel de Oliveira, exibido na secção Venice Classics, na qual foi apresentada “uma seleção das melhores versões restauradas de clássicos do cinema, da responsabilidade de arquivos de cinema, instituições culturais e produtoras de todo o mundo”.

O filme “A Herdade” conta a história de uma família dona de uma propriedade latifundiária, e ao mesmo tempo traça “o retrato da vida histórica, política, social e financeira de Portugal, dos anos 40, atravessando a revolução do 25 de Abril e até aos dias de hoje”, segundo na sinopse.

“A Herdade”, já confirmado também no festival de Toronto, chegará aos cinemas portugueses a 19 de setembro.

O filme “Cães que ladram aos pássaros”, por seu turno, “acompanha os dias de verão de Vicente e da sua família, obrigados a sair da sua casa no centro do Porto, por força da especulação imobiliária”, segundo a produtora.

Iniciado a 28 de agosto, com a estreia de “La vérité”, do realizador japonês Hirokazu Kore-eda, o festival de cinema de Veneza termina hoje com a exibição “The Burnt Orange Heresy”, do realizador italiano Giuseppe Capotondi, no qual entra o músico Mick Jagger.

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