“Se houver uma trégua na Líbia, a UE deve estar preparada para ajudar na sua aplicação e monitorização, eventualmente com militares, no âmbito de uma missão europeia”, disse o Alto Representante para a Política Externa da UE.

A posição, que Borrell disse ter sido abordada na última reunião europeia consagrada à Líbia, é conhecida dois dias antes da conferência internacional sobre a Líbia que reúne no domingo em Berlim os principais protagonistas do conflito.

O resultado dessa conferência será o primeiro ponto da agenda da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE que se realiza na segunda-feira em Bruxelas.

Na terça-feira, quando interveio no Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, Borrell foi mais vago, afirmando que “devia haver um debate na UE” sobre como pode “contribuir para fazer respeitar esse cessar-fogo e o embargo às armas”, e rematou com uma alusão às capacidades limitadas dos Estados-membros: “Sinceramente, não sei quem se vai encarregar”.

Na entrevista publicada hoje, Borrell frisa que o cessar-fogo não está a ser controlado por nenhuma terceira parte: “A ONU encarregou-nos a nós, europeus, da aplicação. E a verdade é que o embargo não é efetivo, ninguém está a controlar nada”, disse.

A trégua acordada entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, entrou em vigor a 12 de janeiro.

A Turquia apoia militarmente o governo de Fayez al-Sarraj, reconhecido pela ONU, sediado em Tripoli, e a Rússia é suspeita de apoiar o marechal Khalifa Haftar, líder do governo rival, baseado em Tobruk.

A conferência de Berlim visa consolidar a trégua e impedir ingerências estrangeiras.

Na entrevista, Borrell repete a advertência que fez em Estrasburgo para o risco de ver repetido na Líbia o que se passou na Síria.

“Na Síria, foi imposta uma solução militar pela Turquia e pela Rússia e ela mudou o equilíbrio na parte oriental do Mediterrâneo. Não podemos aceitar que a situação se repita na Líbia”, disse.

“Penso que ninguém ficará contente se tivermos um cordão de bases militares russas e turcas na costa da Líbia frente a Itália”, acrescentou.

A Líbia vive uma situação de caos desde a revolução de 2011 que pôs fim ao regime de Muammar Kadhafi, com milícias rivais a lutarem pelo controlo do país, rico em petróleo.

Publicidade