A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu, esta terça-feira, que o aumento das pensões e reformas deverá ser uma das “grandes medidas a tomar” na próxima legislatura devido à responsabilidade de “responder pela vida das pessoas”.

“Se queremos pensar numa economia forte, qualificada e numa democracia justa e de respeito às pessoas, as grandes medidas a tomar são aumentar as pensões, principalmente as pensões mais baixas, e permitir que quem tem 40 anos de descontos e 60 anos de idade tenha a reforma por inteiro. É isso que faz justiça a quem trabalhou uma vida”, disse Catarina Martins, em declarações aos jornalistas.

A coordenadora do BE falava durante uma arruada nas Festas de Corroios, no Seixal, distrito de Setúbal, onde referiu que o tema das pensões e reformas é um dos mais abordados pela população em todo o país e que, nas próximas eleições, em outubro, é preciso debater sobre “o que não chega”.

“Num dos contactos populares que tenho tido, uma senhora dizia-me que tinha tido uma carreira contributiva de 50 anos e tinha de pensão 300 euros porque se reformou ainda com as regras da direita de Mota Soares [ex-ministro no governo PSD/CDS]. E a pergunta que eu faço é: alguém neste país acha justo que depois de ter trabalhado 50 anos uma pessoa tenha 300 euros de pensão? É esse o país que queremos ou somos capazes de melhor?”, questionou.

A este propósito, uma cidadã que assistia às declarações aos jornalistas não se conteve e gritou: “Olhe, eu sou uma delas”.

Catarina Martins acrescentou de imediato que “é preciso olhar de frente para o problema” de termos um país em que há muitas pessoas que “têm de escolher entre pagar a renda da casa ou comer todos os dias”.

“Provámos com os aumentos ligeiros que fizemos de pensões [na atual legislatura] que toda a recuperação de rendimentos permitiu a criação de uma economia mais forte, permitiu a criação de emprego. Vamos então construir esse país mais justo. Não é do dia para a noite, mas tem de se fazer esse caminho de pensões justas, um caminho que vá aproximando as pensões mais baixas do salário mínimo nacional”, defendeu.

Neste sentido, a líder bloquista destacou que este caminho de “respeito por quem trabalha e por quem trabalhou” só será possível “com mais força à esquerda”.

“Toda a gente se lembra que em 2015 o PS queria deixar congeladas as pensões e não se comprometia com nenhum valor para o aumento do salário mínimo e, portanto, todos sabemos reconhecer com humildade que o caminho foi feito em conjunto e como foi importante a força da esquerda para recuperar salários e pensões”, sublinhou Catarina Martins.

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