Ao discursar na abertura da XII Convenção Nacional do MpD, Ulisses Correia e Silva, reeleito em fevereiro, novamente em lista única, líder do partido no poder em Cabo Verde desde 2016, começou por sublinhar a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos na atual legislatura (2016/2021) e o crescimento económico do país.

“Dirijo-me às famílias cabo-verdianas. As opções e as políticas que temos tomado e implementado na política económica e social têm estado a produzir resultados. Cabo Verde está hoje mais forte e a vida dos cabo-verdianos está melhor: o rendimento das famílias está a aumentar, os cuidados destinados a crianças, idosos e pessoas com deficiência estão a aumentar, a igualdade e equidade de género ganhou uma nova centralidade nas políticas públicas”, destacou.

Sublinhou igualmente o emprego como principal prioridade do MpD para a atual governação, nomeadamente com medidas para mitigar os efeitos de três anos consecutivos de seca no arquipélago.

A saúde, com vários investimentos previstos, como a construção, na Praia, de um hospital de referência, “tecnologicamente avançado, para servir todo o país”, e a segurança, face aos “problemas” de “criminalidade” em algumas ilhas e cidades do país, são outros dois “eixos prioritários” definidos hoje pelo líder do MpD.

Ulisses Correia e Silva, que já anunciou, em entrevista anterior à Lusa, que será recandidato ao cargo de primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas, em 2021, garantiu que a governação está a “produzir resultados”.

“Vamos produzir ainda mais para, até 2026 [próxima legislatura], atingir o pleno emprego, duplicar o rendimento dos cabo-verdianos e eliminar a pobreza extrema. Porque vamos continuar a governar”, afirmou, perante os delegados à convenção, representantes de outros partidos, nacionais e estrangeiros e diplomatas acreditados no país, além de centenas de militantes que encheram o edifício da Assembleia Nacional, na cidade da Praia.

A XII convenção do MpD decorre até sábado e culminará com eleição da nova Direção Nacional, da Comissão Política Nacional e do secretário-geral, sobre a proposta do presidente. Ulisses Correia e Silva anunciou que o cargo de secretário-geral, até agora ocupado pelo deputado Miguel Monteiro, vai ser assumido por uma mulher, cumprindo a recentemente aprovada lei da paridade de género, e que passará a ser coadjuvada por seis secretários-adjuntos, um dos quais expressamente dedicado à diáspora.

“A paridade de género e a boa participação dos jovens serão expressas também nas listas para as eleições autárquicas e legislativas”, disse Ulisses Correia e Silva na intervenção de abertura.

Insistiu que as opções do Governo que lidera passam também por tornar Cabo Verde “mais resiliente e menos vulnerável aos choques externos de natureza económica, ambiental, sanitária e securitária”, motivo pelo qual foram feitas reformas nas áreas da transição energética, na estratégia da água e resiliência do setor agrário, na melhoria do sistema de saúde e em parcerias e alianças para a segurança cooperativa, nomeadamente a segurança marítima.

“Ainda existem muitas dificuldades, mas estamos a percorrer o caminho que dá maiores garantias de rompimento do ciclo vicioso da pobreza, de redução das desigualdades sociais e de um Estado social que cuida, protege e cria oportunidades para a progressão social e económica dos cidadãos e das famílias”, afirmou ainda o presidente do MpD, lançando a crítica à política de assistencialismo de que repetidamente tem acusado a oposição.

“Somos diferentes. Entre o populismo, o assistencialismo, o condicionamento e a exploração política da vulnerabilidade social e económica das pessoas, optamos por oferecer às pessoas as condições para que sejam autónomas através do trabalho e do rendimento resultante do seu próprio esforço”, disse.

Cabo Verde realiza no segundo semestre deste ano as suas oitavas eleições autárquicas e o MpD detém a presidência de 18 das 22 câmaras municipais do país. Antes do discurso de abertura, ao apresentar a moção estratégia de orientação política do partido, Ulisses Correia e Silva disse que os candidatos do MpD às próximas eleições autárquicas serão conhecidos em abril.

“Não há razões para que o MpD não vença, e não vença bem, as próximas eleições autárquicas”, afirmou o líder do partido.

O MpD foi constituído há 30 anos, tendo sido o primeiro a assumir o poder em Cabo Verde na sequência das primeiras eleições multipartidárias no país, realizadas em 1991.

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