Os líderes do PSD e do CDS-PP manifestaram hoje uma vontade de convergência dos dois partidos quanto às autárquicas de 2021, mas também noutras matérias, como as reformas do sistema eleitoral, da justiça ou da segurança social.

No final de um encontro de cerca de hora e meia na sede nacional do PSD, em Lisboa, Rui Rio falou numa “conversa solta e simpática”, enquanto Francisco Rodrigues dos Santos destacou a “ocasião favorável” para os dois partidos começarem a desenhar entendimentos para “uma alternativa não socialista”.

“Não sei se estamos mais próximos, nunca estivemos distantes”, afirmou Rio, apontando o CDS-PP como “parceiro histórico” do PSD quer em autárquicas, quer na governação.

Referindo a sua experiência pessoal em 12 anos à frente da Câmara do Porto em coligação, o líder do PSD acentuou que nunca teve dificuldades “ao longo dos anos em ter entendimentos com o CDS”.

Quanto à forma como poderá ser feito o entendimento com os democratas-cristãos para as próximas autárquicas, Rio apontou que será “como sempre se fez”.

“Deixar um bocadinho à liberdade de, localmente, concelho a concelho, as estruturas dizerem se querem ou não fazer coligações”, apontou, realçando que essa sempre foi a “regra” das parcerias autárquicas dos dois partidos.

Rio disse não esperar que o novo líder do CDS vá fazer “uma revolução” no partido e que tenha “uma linha de continuidade”, reiterando o posicionamento do PSD mais ao centro.

Questionado o que mudou desde o debate orçamental – quando sugeriu que o primeiro-ministro até mandava no CDS -, Rio respondeu em tom de brincadeira.

“Isso foi há uma semana, entretanto passou muita água pelo rio debaixo da ponte”, disse.

Se a conversa sobre as autárquicas não foi ainda a questões concretas como candidatos para Lisboa e Porto, Rio antevê que a reunião possa ter efeitos práticos a curto prazo, como “alguma convergência de opinião, alinhamentos entre PSD e CDS”.

Já Francisco Rodrigues dos Santos até aponta mais longe e admite entendimentos entre ambos os partidos em reformas em áreas como a justiça, segurança social ou sistema eleitoral, áreas desde sempre definidas como prioritárias por Rui Rio.

“Creio que está criada uma ocasião favorável para que o CDS e o PSD possam iniciar uma estratégia concertada a pensar nas próximas eleições autárquicas para que se consiga uma maioria de centro direita, onde o PSD representa certamente o centro e o CDS uma direita democrática e popular”, afirmou.

O líder do CDS realçou que, no futuro, “será necessário manter o estreitamento de relações institucionais com lealdade e confiança mútua”, mas também através das diferenças entre os dois partidos.

Rodrigues dos Santos manifestou ainda o empenho para que “as reformas de que o país precisa possam começar a ser desenhadas” e existam “pontos de convergência para uma alternativa não socialista em Portugal”.

Do lado do CDS-PP, estiveram presentes o vice-presidente António Carlos Monteiro e António Miguel Garcês e Lídia Braz, ambos da Comissão Executiva.

Do lado do PSD, na reunião estiveram, além de Rui Rio, o secretário-geral José Silvano e a vice-presidente Isaura Morais.

O encontro foi pedido pelo líder do CDS-PP, que foi eleito no Congresso de 25 e 26 de janeiro, e acontece na semana seguinte à reunião magna dos sociais-democratas, que consagrou Rui Rio para um segundo mandato à frente dos sociais-democratas.

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