O linguista Manuel Veiga considerou ontem que Cabo Verde fez um grande percurso na promoção da língua cabo-verdiana, apontando que a valorização e reconhecimento da língua materna passa pela sua utilização em todas as vertentes.

Manuel Veiga, antigo ministro da Cultura no Governo do PAICV fez estas declarações à imprensa, após ministrar uma aula magna sobre o processo de afirmação da escrita do crioulo do século XIX à actualidade, no âmbito da conferência de comemoração do Dia Internacional da Língua Materna que se celebra hoje.

A conferência foi promovida pela Biblioteca Nacional, na cidade da Praia, sob o lema “Nu selebra diversidade linguistiku: Lingua Kabu-verdianu- Patrimoniu Nasional” (Celebremos a diversidade linguística: Língua Cabo-Verdiana- Património Nacional).

Para este responsável, o país registou avanços notáveis no que se refere à promoção da língua cabo-verdiana, defendendo, entretanto, a necessidade de criação de condições para a sua oficialização em paridade com o português.

“É preciso criar as condições para a oficialização da língua materna em paridade com o português, que deve ser promovida nas escolas que é um espaço onde é possível generalizar explicitamente o funcionamento do crioulo, e as suas regras”, realçou, perspectivando que no espaço de 50 anos Cabo Verde terá um crioulo “coeso” e “unificado”.

Na sua opinião, o reconhecimento da Língua Cabo-verdiana passa pela sua utilização na escrita, comunicação social, investigação, arte, literatura e como instrumento de comunicação e interacção.

No seu entender, a polémica sobre as variantes da língua materna levantada na sociedade cabo-verdiana, não tem razão de ser, uma vez que variantes sempre existiram, apontando que a padronização faz-se passo a passo e que o seu processo é inconclusivo.

Considerou, por outro lado, o ALUPEC como um alfabeto sistematizado e que tem alguma diferença relativamente ao alfabeto português, acrescentando que as características de todos os alfabetos do mundo deveriam ser a sua funcionalidade e sistematicidade.

Destacou as acções que vem sendo desenvolvido pelo Ministério da Cultura na promoção e valorização, da língua materna, frisando, entretanto, que o Ministério da Educação, que tem a vertente de formação e política de ensino, é, por conseguinte, responsável pela promoção do ensino da língua materna.

O Dia Internacional da Língua Materna é celebrado anualmente a 21 de Fevereiro. O dia foi proclamado pela UNESCO em 1999, sendo comemorado em todos os seus países membros, com o objectivo de proteger e salvaguardar as línguas faladas em todo o planeta.

A escolha do dia 21 de Fevereiro para comemorar o Dia Internacional da Língua Materna serve para lembrar a população mundial da tragédia que ocorreu em Fevereiro de 1952, na cidade de Daca, no Bangladesh. Vários estudantes foram mortos pela polícia enquanto protestavam pelo reconhecimento da sua língua – o bengalês – como um dos dois idiomas oficiais do então Paquistão.

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