O vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA) disse hoje, em Luanda, que o banco central angolano está a acompanhar “com muita atenção” todos os desenvolvimentos à volta do caso que envolve a empresária Isabel dos Santos.

Rui Miguêns referiu, em declarações à imprensa, que neste momento, o BNA tem a preocupação de garantir o cumprimento da ordem de arresto pelo Tribunal Provincial de Luanda das contas bancárias e das ações de Isabel dos Santos, do seu marido, Sindika Dokolo, e do seu gestor, Mário Leite da Silva.

“Esse tem sido o nosso foco, mas naturalmente que o BNA, com as responsabilidades que tem pela estabilidade do sistema financeiro nacional e bancário em particular, acompanha com muita atenção todos os desenvolvimentos à volta do caso”, referiu.

Instado a comentar o anúncio da renúncia de Mário Leite da Silva ao cargo de presidente do conselho de administração do Bando de Fomento Angola, o vice-governador do BNA preferiu não emitir qualquer opinião.

Isabel dos Santos, empresária angolana e filha do ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, foi constituída arguida, bem como Sarju Raikundalia, ex-administrador financeiro da petrolífera Sonangol, Mário Leite Silva, gestor de Isabel dos Santos, Paula Oliveira, amiga da empresária e administradora da NOS, e Nuno Ribeiro da Cunha, gestor de conta da empresária no EuroBIC, encontrado morto na quarta-feira.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, o grupo foi constituído arguido no âmbito de um processo de inquérito aberto na sequência de uma denúncia do antigo presidente do conselho de administração da Sonangol, Carlos Saturnino.

Um despacho sentença do Tribunal Provincial de Luanda, divulgado em finais de dezembro de 2019, decretou o arresto preventivo de bens e contas particulares de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e Mário Leite da Silva.

Um Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou domingo passado mais de 715 mil documentos, sob o nome de `Luanda Leaks`, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

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