Stanley Ho, magnata do jogo em Macau e detentor também de vários casinos em Portugal, morreu esta terça-feira, aos 98 anos, em Hong Kong, avança a agência Reuters, que cita a televisão estatal chinesa, a China Central Television (CCTV).

Já em 2009, o estado de saúde do empresário era mantido em segredo, sabendo-se apenas que estava hospitalizado há vários meses.

Ho construiu um vasto império na antiga colónia portuguesa e tornou-se um dos homens mais ricos da Ásia. A sua sociedade principal, a SJM Holdings, tem um valor estimado de seis mil milhões de dólares. Por outro lado, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) tem no seu portefólio negócios no ramo do turismo, como hotéis de luxo, transportes e até corridas de cavalos.

Em Portugal, tornou-se conhecido como acionista maioritário do grupo Estoril Sol, que controla três dos maiores casinos do país, em Lisboa, Estoril e na Póvoa de Varzim.

O empresário nasceu em Hong Kong, a 25 de novembro de 1921, teve quatro mulheres e 17 filhos, tendo alguns deles seguido as pisadas do pai nos negócios. A filha Pansy é uma das presidentes do conselho de administração do MGM Resorts’ Macau, enquanto o filho Lawrence está a frente da Melco Resorts & Entertainment.

O MONOPÓLIO DO JOGO

Ho chegou a Macau em 1941, fugindo da invasão e ocupação japonesa no território vizinho. É em 1962 que cria a STDM e passa a ter o monópolio da indústria do jogo, que mantém até 2001.

A sua primeira mulher foi Clementina Leitão, com quem casou em 1941. Como membro de uma das famílias macaenses mais influentes do território, terá sido fundamental para o lançamento dos primeiros negócios do marido.

Negócios que foi alargando a quase todas as actividades em Macau: hotéis, restaurantes, a empresa que opera os barcos entre Macau e Hong Kong. Foi também ele que lançou a empresa que assegura as ligações à cidade vizinha por helicóptero. Entrou ainda no sector imobiliário e na electricidade. Foi um dos sócios privados da Teledifusão de Macau (TDM).

Stanley Ho participou ainda em muitos projectos públicos – é o caso do Centro Cultural ou do Aeroporto Internacional. Esteve também ligado à Universidade de Macau e à Fundação Macau, entre outras instituições em que participou, além de centros comerciais, corridas de cavalo e galgos.

Integrou a Comissão de Redacção da Lei Básica, a Conferência Consultiva do Povo Chinês e o colégio eleitoral que escolhe o Chefe do Executivo.

Na década de 1990 era muitos vezes apelidado do verdadeiro rei de Macau – para muitos tinha mesmo mais poder concreto que o governador, dada a influência que tinha na economia e na vida colectiva do território.

Manteve sempre boas relações com os governadores de Macau e com todos os políticos portugueses, fossem Presidentes da República, primeiros-ministros ou líderes partidários. Com negócios em muitos países, manteve sempre uma forte ligação a Portugal. Desde a Estoril-Sol à companhia de navegação Portline e ao sector imobiliário.

Amigo de Carlos Monjardino, esteve desde a primeira hora ligado à Fundação Oriente, financiou ainda a Fundação Jorge Álvares e criou em Portugal a Fundação Stanley Ho.

Falava várias línguas e foi condecorado pelos Governos de Macau, de Portugal, de França, Japão, entre outros. A Universidade de Kong Kong concedeu-lhe o título de doutor ‘honoris causa’.

Para a Forbes era o homem mais rico de Macau e um dos mais ricos da Ásia, com investimentos além de Macau e de Portugal, em Hong Kong, Coreia do Norte, Filipinas e Vietname.

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