Os fortes ventos e chuvas que se registaram quarta-feira em Bissau provocaram a destruição de pelo menos 200 casas, disse hoje o coordenador da proteção civil guineense, Alsau Sambú.

O responsável disse que, para já, não pode confirmar a ocorrência de mortes, mas os órgãos de comunicação social guineense apresentam hoje relatos de terem sido registadas algumas mortes devido ao mau tempo em Bissau.

Várias pessoas deslocaram-se hoje à sede da proteção civil para apresentarem relatos de estragos causados pela intempérie. Em fila indiana as pessoas indicaram aos técnicos da proteção civil relatos sobre a queda de árvores, telhado que voaram, paredes de habitações que ruíram, entre outras situações.

Várias famílias contaram que passaram a noite de quarta-feira na casa de vizinhos ou em escolas.

Um popular explicou aos jornalistas que a casa onde habita, no bairro de Antula, ficou sem a cobertura de zinco e “de repente caiu um bloco de cimento por cima de uma criança”, que acabou por falecer.

Outro homem disse aos jornalistas que um rapaz morreu eletrocutado no bairro de Bandim.

Duas rádios comunitárias de Bissau, as vozes dos bairros de Klelé e Antula, ficaram com as instalações danificadas e com as antenas quebradas.

Alsau Sambú afirmou que “só na sexta-feira, o mais tardar” é que a entidade saberá ao certo qual o grau dos estragos materiais e “eventualmente vítimas humanas”, deixados pelo mau tempo.

A proteção civil tem neste momento três equipas em vários pontos de Bissau a recolher informações.

De acordo com os relatos, “choveu torrencialmente” em Bissau, Bafatá e Gabú, no leste, indicou Sambu, apontando para um “fenómeno que tem ocorrido desde 2014”, que se caracteriza por ventos fortes.

“Este ano está a ser particularmente destrutivo na Guiné-Bissau com incêndios, inundações e ventos fortes”,

Alfredo da Silva, perito ambiental guineense e representante da União Internacional da Conservação da Natureza (UICN) disse que os serviços da meteorologia não informaram a população “do prognóstico de mau tempo que se avizinhava”, mas também realçou que “cada vez mais tem havido comportamentos errados da população sobre o ambiente”.

O especialista defende que cada vez mais as casas têm sido construídas em lugares abertos, que Bissau já não tem arvores como dantes e as habitações são erguidas em zonas húmidas e ainda expostas ao vento.

“Há muita gente a construir mal”, frisou Alfredo da Silva apontando para “novos sinais de ataques ambientais” por parte da população.

O responsável disse que a baixa de Bissau, por exemplo, fica toda inundada cada vez que chove e que a própria precipitação tem vindo a diminuir a cada ano.

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