As informações foram recolhidas pela plataforma Radar, da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério da Economia, e, embora o número seja menor do que o registado em 2018 (1.745 trabalhadores), a quantidade de estabelecimentos fiscalizados aumentou.

Na ocasião em que se assinala no Brasil o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, o MPT revelou ainda que, nos últimos cinco anos, recebeu 5.909 denúncias sobre este tipo de situações.

Entre 2003 e 2018, foram cerca de 45 mil os trabalhadores resgatados e libertados do trabalho análogo à escravidão no país sul-americano. Segundo dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo, os números significam uma média de pelo menos oito trabalhadores resgatados por dia.

Nesse período, a maioria das vítimas era do sexo masculino e tinha entre 18 e 24 anos.

“O perfil dos casos também comprova que o analfabetismo ou a baixa escolaridade tornam o indivíduo mais vulnerável a esse tipo de exploração, já que 31 % eram analfabetos e 39% não haviam sequer concluído o .5º ano”, refere hoje o MPT no seu ‘site’.

Para assinalar a data, decorreu hoje na sede da Procuradoria-Geral do Trabalho, em Brasília, o “encontro nacional para erradicação do trabalho escravo – reforço de parcerias contributivas”.

O evento contou com a participação de autoridades de diversos órgãos e entidades ligados ao tema e reforçou a importância da articulação interinstitucional para a prevenção e erradicação do trabalho escravo.

Para a presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho do Brasil, Noemia Porto, a adoção de medidas repressoras do crime de trabalho escravo não acompanhou o crescimento económico do país.

Noemia Porto citou dados de 2014, quando o Brasil era a sétima maior economia do mundo e ocupava a 143.ª posição de um total de 167 países no Índice Global de Escravidão, da organização “Walk Free Foundation”.

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil foi criado em homenagem aos auditores-fiscais do Trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, além do motorista Aílton Pereira de Oliveira, que foram assassinados em Unaí, Minas Gerais, no dia 28 de janeiro de 2004, quando investigavam denúncias de trabalho escravo numa fazenda.

Este episódio de violência ficou conhecido como a “chacina de Unaí”.

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