O ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, disse hoje acreditar que, até ao final deste ano, seja abolida a pena de morte da Constituição da República da Guiné Equatorial.

“Estamos com um calendário a trabalhar com o governo da Guiné Equatorial e acreditamos que, até ao final deste ano, teremos conseguido a abolição da pena de morte da Constituição da República da Guiné Equatorial”, anunciou Luís Filipe Tavares.

O ministro cabo-verdiano falava à margem da cerimónia dos 40 anos do Instituto Piaget em Viseu, onde esteve presente.

Na ocasião, governante cabo-verdiano lembrou que a abolição desta condenação “é muito importante” para a comunidade lusófona, uma vez que “não é possível que haja pena de morte num país membro da comunidade de língua portuguesa”.

Luís Filipe Tavares também preside, até 2020, ao conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que Cabo Verde está a presidir.

“Estamos com um ambicioso projeto, a presidência cabo-verdiana da CPLP, de mobilidade no seio da comunidade dos países de língua portuguesa e vamos permitir que, a partir de julho de 2019, tenhamos maior mobilidade de estudantes, de professores e também de cidadãos”, adiantou.

Este projeto de mobilidade entre a CPLP “nasceu da mesma forma que o projeto de integração na União Europeia (UE) quando se criou o Euro, as fronteiras Schengen”, explicou o governante.

“Estamos a tentar construir um projeto idêntico para os países de língua portuguesa. Vai ser muito mais fácil a mobilidade dos alunos, docentes e também dos cidadãos, empresários, etc, no seio dos nove países membros da CPLP. É algo de muito importante”, destacou o ministro.

Luís Filipe Tavares anunciou também, perante a plateia, que, no âmbito desta presidência da CPLP, os governantes cabo-verdianos estão a “criar com o governo português um projeto giríssimo: a criação de um centro de defesa no Atlântico, cuja sede será nos Açores”.

Defensor da língua portuguesa, o governante, antigo docente e administrador do Instituto Piaget em Cabo Verde, adiantou que está “desde o ano passado a trabalhar com o secretário-geral das Nações Unidas, o engenheiro António Guterres, para tornar o português língua oficial da própria organização das Nações Unidas”.

Luís Filipe Tavares lembrou que, “hoje, a língua portuguesa é a língua oficial de várias organizações internacionais” e “há quase 280 milhões, um pouco mais, de falantes de língua portuguesa no mundo”.

“É a língua mais falada no hemisfério sul, uma das mais importantes do hemisfério ocidental, estima-se que, no final deste século, vamos ter qualquer coisa como 500 milhões de falantes de língua portuguesa”, perspetivou.

Neste sentido, o ministro assumiu que, atualmente, “a língua portuguesa é ensinada em Cabo Verde graças ao trabalho extraordinário feito pelo Instituto Piaget” e, segundo contou, foi a “partir do arquipélago crioulo que “nasceu o projeto da Universidade Jean Piaget da Guiné Bissau”.

“Estou em crer que vai haver também um projeto em Timor Leste e na Guiné Equatorial. Enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde tudo farei para que o Instituto Piaget possa estar mais presente nos países da comunidade de língua portuguesa”, prometeu Luís Filipe Tavares.

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